Pediram-me que escrevesse sobre os novos pecados capitais. Para atender o pedido inicio este prólogo focalizando idéias gerais sobre o pecado.
Deus é infinitamente perfeito. Ele é a causa primeira e a origem de todas as origens. Do universo criado, destacou o humano e o dotou de inteligência e vontade. A inteligência para aclarar e a vontade para determinar o comportamento. Chamam a esses dons de “sentidos da alma”. A inteligência, pois nos leva à retitude no agir. A vontade determina-se aclarada pela inteligência. Acontece que a vontade é indecisa e muitas vezes prefere quinquilharias... mestres espirituais ensinam: “ sede escravos da inteligência ou da consciência e senhores da vontade.”
A escolha do não propicia a negação do bem que é o mal. Age-se assim por egoísmo? Por egocentrismo? Na verdade centros outros são preferidos em vez do centro certo e justo que é Deus. O criado não poderá centralizar o universo. O ser criado, por mais completo que seja está cheio de engrenagens e de peças que o fragilizam. O ser criado traz em si o sinete de criatura que se ajusta e desajusta como o ódio contrário ao amor, como a tristeza o oposto da alegria como a noite que nega a luz. O mal jamais poderá servir a pesquisas, e por isto a neurociência jamais poderá explicar o mal no mundo. O mal na linguagem teológica é conhecido como pecado. Com efeito, os dez mandamentos ou o decálogo não observados ou negados atingem a Deus e ao próximo.
As igrejas cristãs se fundamentam na Bíblia para definir o pecado. É preciso se ter fé e muita fé para compreender-se a linguagem de São Paulo que fala sobre o “mistério da iniqüidade”. Na presente hora o estonteante é que a iniqüidade parece começar a ser considerada como normal. Idolatra-se o egoísmo, a vaidade, a soberba, a ganância a luxúria, a perversão. Os teólogos explicam tal comportamento como a negação do bom, do bem, da lei de Deus e também da lei natural impressa na consciência universal. É a lei do amor, do respeito, da partilha. Relato um caso acontecido na minha gestão Sant’Ana lá na Oleana, corrente do Apeú. Um caçador disse-me: “Padre, eu jamais caçarei macacos para comer. Prefiro outras caças como cotias, veados, pacas. Certa vez atirei em um macaco que brincava de galho em galho com um macaquinho. O chumbo da espingarda atingiu o macaquinho. A macaca vendo-o ferido, começou a dar guinchos ou gritos, mostrando o macaquinho cheio de sangue. O sangue do animal fez pular meu coração”...Até os brutos choram e protestam contra o mal.
A Bíblia diz que o mal teve início na queda dos anjos. Lúcifer, o portador da luz, tornou-se trevas. Pretendeu identificar-se com Deus. Deus o permitiu. Se o humano foi galardoado como livre arbítrio, imagine o leitor a liberdade na natureza angélica. Deus respeita a sua obra. O conhecimento angelical é mais perfeito porque é intuitivo. O humano não poderá prescindir da matéria. O anjo é puro espírito.
Depois desta introdução elucidativa irei repetir as publicações do conhecido focalizando a negação de comportamentos em detrimento do justo e do normal. A inocência da menina Isabela foi trocada pela morte. O corpo ferrado com ferro em brasa para animais maculou o corpo do adolescente, o comportamento satânico matou os irmãos Novelino, o bebê lançado no lago da Pampulha pela mãe opôs-se ao amor materno, o garoto Hélio arrastado pela delinqüência de jovens substituiu bom-senso, o pai ao deixar o filho para o vestibular, foi sadicamente morto, o índio foi queimando, para provocar risos de gente endinheirada. Os exemplos continuam...
Do passado, um só exemplo. Na Grécia Antiga, Heróstato da Eufrásia para tornar-se célebre, incendiou o templo de Diana. Agora, para terminar, cito jornalista da revista Veja: “O ser humano age como besta”.
As igrejas, os meios da comunicação social, os governos e todas as autoridades deverão estar atentos. Nada de justificativas e nem balanços de cabeça, nada de querer desculpar a iniqüidade. O bem é negado a cada instante. Arregalem-se os olhos. É Deus e a criatura humana que estão em jogo. A cólera divina é terrível. A consciência universal está sendo substituída pela impunidade. O legal pelo anárquico, a seriedade pela maldade, a segurança pela insegurança. O bem pelo mal. Está havendo uma verdadeira dissonância no mundo à guiza de trio infernal. No próximo, escreverei sobre pecados capitais propriamente dito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário