Na III exposição sobre células-tronco, publicada na sexta-feira Santa, detive-me em premissas, em objetividade da verdade e de maneira um tanto jocosa, exemplifiquei o elementar:“xícara não é charuto”, tudo para frisar o óbvio: zigoto ou célula fecundada tem vida. Zigoto não é prótese. Ele caminha para o desenvolvimento, como caminham as madrugadas para o novo dia. Eis porque deve ser respeitado. Completada a gestação, o feto é ejetado no mundo. Quase sempre nasce gritando, talvez espantado com o que lhe irá acontecer. Os que têm fé agradecerão ao Criador o fato de ter nascido.
Nasce-se porque se foi respeitado. Caso contrário, ninguém nasceria nem os esmagadores de embriões... Falam assim os que têm fé. Do outro lado, estão os evolucionistas. A esta altura urge reafirmar-se que Darwin não provou ser o homem descendente de macacos. Se isto afirmasse, poder-se-ia lançar-lhe a recíproca de que os homens poderiam também se transformar em macacos. Eu acrescento: macacos não no sentido figurado... Os que têm fé e acreditam no transcendente, não aceitam o monismo, pois a alma é a forma “substancial do corpo” e conseqüentemente a matéria por si só, não poderá evoluir para a vida. Todo efeito é proporcional e não poderá superar a causa. Vale dizer-se peremptoriamente que a Igreja tem profundo apreço a ciência e que ela se cerca de cientistas antes de emitir parecer. Nas canonizações prefere cientistas não religiosos, para superar equívocos e atestar o inexplicável.
Nos seminários estuda-se o evolucionismo e se faz a distinção entre o rígido ou monista e o mitigado. O rígido é materialista. O mitigado aceita o primeiro impulso que independe da matéria. A matéria não pode gerar vida. Nos laboratórios, células poderão até ser fabricadas e se identificar física e quimicamente às orgânicas, mas elas jamais viverão. É sempre Deus quem insufla o hálito vital. Desde que se aceite uma energia superior e fora da matéria para informá-la, a fé do crente está salva.
Irei agora citar repetido caso de Galileu. O cientista, observando as fases do planeta Vênus, aceitou o sistema de Copérnico que não se ajustava aos textos bíblicos. Ele viveu no tempo das crassas heresias e como os eclesiásticos sem formação religiosa eram mais mundanos e políticos do que religiosos, houve o que houve.Galileu não foi condenado, porque em 1616 afirmou mediante assinatura que o sistema Copérnico não passava de hipótese. Em 1632, voltou a defender o mesmo sistema e por isso foi condenado a prisão domiciliar e proibido de publicar livros. Convenhamos, de 1600 até 2008 o mundo correu muito, a sociedade evoluiu e também a Igreja sentiu a necessidade de desenvolver seus dogmas, sua liturgia, a ciência se agigantou. Vários papas foram eleitos por injunções políticas, não havia seminários e o clero não tinha a formação de hoje. Atualmente ela não aceita eclesiásticos políticos. Depois, para interpretar as Sagradas Escrituras, existem os exegetas e eles são peritos não só na bíblia, mas também nas formas idiomáticas de cada língua. Deverão ser peritos em hebraico, em grego, em latim, em aramaico etc. Não obstante, a Igreja já pediu oficialmente perdão pelos seus equívocos...
Agora um só exemplo sobre a evolução da ciência. Na década de 40, aconteceu a II Grande Guerra Mundial. Vultos se evidenciaram: Hitler, Mussolini, Stálin, Roosevelt, Petain, Churchill etc. Em determinado dia, 6 de julho de 1944, no Brasil, o repórter Esso, e no mundo, eclodiu a notícia: “Acaba de falecer Roosevelt, o presidente dos Estados Unidos.’ Houve impacto. No dia da morte a pressão arterial do presidente chegou a 30 por 19. A ciência desconhecia a fatalidade da hipertensão. Acreditava-se que quanto mais alta ela fosse, mais facilmente o sangue corria pelas veias e artérias. Compare estes 60 anos passados com os 300 que se foram.
É desconexa a afirmação de que a Igreja Católica adota ceticismo dogmático. O vocábulo dogmático se deriva da palavra dogma. A Igreja tem sua verdade e seus dogmas, não porque ela os inventou, mas porque foram revelados por Deus através dos autores inspirados. A ciência tem suas verdades, as línguas têm as suas verdades e também a lógica. Céptico e não cético quer dizer incrédulo.
O assunto das células tronco é inesgotável, mas irei ficar por aqui. Para continuá-lo teria que me deter sobre razões éticas, filosóficas, sobre verdades objetivas e não sobre ciência. Não sou cientista e sim sacerdote. Eu e toda a humanidade desejamos que as pesquisas continuem e avancem dentro do lícito e que elas não venham agredir consciências não calejadas. Não se venham chocar com a lei natural, com a lei de Deus e com a fé dos crentes, sejam eles católicos muçulmanos, evangélicos, espíritas ou de outras religiões. Agora mesmo a revista Veja proclama em Páginas Amarelas sobre escassez de ética no mundo. A falta de ética pulula em cada esquina e em cada rua. A vida humana chegou a alto grau de desrespeito. Mata-se por uma tampa de panela. Como este mundo irá respeitar aquele ou aquela que ainda nem nasceu?!...
Nenhum comentário:
Postar um comentário