sábado, 31 de maio de 2008

Residências Paroquiais

O católico muitas vezes desconhece a vivência sacerdotal e por isto não distingue o padre diocesano do religioso. Este vive em suas comunidades, são sustentados pela Congregação e fazem o voto de pobreza. O padre diocesano “que se vire”. Acontece que quando mandados à paróquias muito pobres tornam-se heróis e na compulsória não são indenizados. Os rabinos e evangélicos, parece-me que são mais compreensivos com seus ministros.

Dom Alberto G. Ramos, antigo Arcebispo, era diocesano. Passou necessidades e no silêncio. No meu primeiro ano de Catedral, após o balancete, fui levar-lhe um cheque. Quando ele abriu o envelope e viu o cheque, levou-o aos lábios e o beijou agradecido. Ele ainda era o Metropolita. D. Mário de Miranda Vilas Boas saiu pobre de Belém. e quase mendigou. O Dr. Aldebaro Klautau, Sr. Jovelino Coimbra e Sr. Victor C. Portela cotizaram-se e compraram uma pequena casa em Aracaju – Sergipe onde nela veio a falecer.

Às vezes sem razões pastorais claras, o diocesano é jogado de um lado para o outro e vai em frente. A solidão o acompanha. Acontece que pseudo-técnicos negaram a dois padres o direito de morar. Demoliram as residências paroquiais à revelia e sem os ouvir. Saibam: Quando o Papa João Paulo II esteve em Belém, a Arquidiocese foi admoestada por Roma, pela falta de hospedagem condigna. O Cardeal Cassaroli, na época, segunda pessoa depois do Papa foi mal alojado e também sua comitiva.

Chegando à Catedral, procurei resolver o problema. Nada destruí. Nos locais ociosos como aquele que encima o forro do Salão dos Pontificais foi preparada a moradia ao pároco. Nela hospedei o Núncio Apostólico ou Embaixador do Papa, o Arcebispo de Niterói, o Arcebispo de João Pessoa, o Arcebispo de Curitiba. Vários sacerdotes. Por ocasião do Círio pernoitava o Arcebispo de Belém, evitando atrasos... Os quartos eram tipo kit-net com banheiros, telefone, frigobar e chuveiro elétrico tudo muito simples, mas condigno e silencioso. O anúncio da demolição (incrível!...) foi publicado até pelo jornal Voz de Nazaré, que no caso ficou apático... As apatias lembram a placidez dos pântanos que são enganosos, podendo afogar e provocar a morte...

Acrescento ainda: um dos chefões da cultura, hoje escolhido como futuro vice-prefeito de seu partido, humilhou o então pároco da Sé à entrada do gabinete. A notícia se espalhou e foi publicada em O Diário do Pará. O referido secretário não teve ética, nem educação e nem traquejo social. Não foi para isto que o então governador o nomeou. Depois li uma “Carta à Comunidade Católica do Pará”, escrita pelo professor de Comunicação da UFPA, Raimundo Godim: Até que enfim ouvi outra voz além da minha, a ecoar em Belém contra a insensatez que se avolumou na última década do século passado. A Arquidiocese de Belém deixou a impressão de ser uma casa sem dono.

No momento estão anunciando a entrega da Catedral ao atual arcebispo Dom Orani João. Se isto acontecer no tempo anunciando, os fiéis e todos deverão agradecer a Deus, à senhora Governadora e ao atual Secretário da Cultura. “Depois da tempestade vem a bonança”.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Pirogênese


A ciência não pára, é irrequieta, investiga a fundo a natureza. Tendências místicas orientais se juntam ao uso de drogas para avizinhar-se fácil do psíquico. Entre nós muitos simpatizam com o ocultismo, teosofismo, esoterismo, espiritismo, pajelança e outras. Estas tendências procuram desconhecer verdades conhecidas e por isto atribuem ao além fenômenos puramente naturais.

A parapsicologia não nega constatações surpreendentes, mas as estuda e explica os fenômenos. Sacerdotes, médicos, psicólogos, teólogos, deverão apoiar o desenvolvimento parapsicológico. Schopenhauer diz: “Os fenômenos em questão são importantes e que com eles, nos devemos familiarizar, pois este é dever do sábio”. O cristão não deverá acreditar logo em milagres ou condenar os céticos pois “eles tem o direito de não acreditar”.

Citarei alguns fenômenos explicáveis: Pedras caírem no telhado ou dentro da casa sem que ninguém as tivessem lançado, agulhas penetrarem sem motivo no corpo humano, incêndios inexplicáveis, existência de luzes ou auréolas em determinadas pessoas, perfume a invadir residência, cheiro de velas, levitação, cadáver que não se decompõe, prodígios com sangue etc...

Vamos nos deter sobre a pirogênese. José Lorenzatto em seu livro “Parapsicologia e Religião” cita o museu das almas, fundado em Roma pelo Pe. Juoet no ano de 1893: Foi iniciado um incêndio no altar de sua Igreja no dia 15 de novembro de 1887. Em meio às chamas, várias pessoas divisaram rostos sofredores. Foi um acontecimento. O Rev.do começou a coletar depoimentos outros em toda a Europa: “Impressão de três dedos, deixados no dia 15 de março de 1871, sobre o livro de orações de Maria Zangati pela falecida Palmira Rastelli falecida em 1870.
Impressão de fogo de um dedo da irmã Maria de São Luiz Gonzaga Aparecida à irmã Margarida do Sagrado Coração na noite de 5 para 6 de junho de 1894. Os fatos são muitos e poderão ser encontrados no livro “Lo Spiritismo... questo mistero” do Prof. Giovanni Batista Alfano.

O termo pirogênese significa aparecimento de fogo de uma forma misteriosa. A maioria das pirogêneses está acompanhada de pancadas e outros fenômenos. Elas refletem exatamente o que os vivos pensam sobre o purgatório ou inferno como “lugar” de sofrimento.

Lorenzatto pergunta: Será que os espíritos devem acomodar-se aos vivos ou os vivos ajustarem-se aos mortos? Nada disso. Trata-se “de uma dramatização do inconsciente dos vivos que, imbuídos das noções religiosas do purgatório, projetam a idéia externamente por meio de alucinações visuais e auditivas, originando o fenômeno. A idéia do purgatório está ligada ao fogo e no caso, as pseudo-visões só poderão deixar impressas marcas de dedos, de mão nos objetos. As almas não possuem nem mãos, nem dedos...”

O Papa Urbano VIII diz aos fiéis de encararem os fenômenos com valor humano. A pirogênese poderá manifestar-se em forma de incêndio. Na pirogênese o fogo queima, mas sem deixar cheiro de queimado e atingir lugares insuspeitos. Consome por exemplo a prateleira e não queima os papéis de mais fácil combustão. Convém então que ninguém se deixe enganar por acontecimentos que a ciência parapsicológica poderá explicar.


Aliás, Deus outorgou a nós a inteligência para que seus mistérios infinitos fossem aos poucos desvendados. A propósito, lembro-me do Pe. Antonio Carlos Peixoto, nosso mestre e que pertenceu à família dos salesianos, hoje Filhos de São João Bosco. Assim ele dizia: “Deus é infinito e por isto inesgotável. A eternidade toda, não bastará para que seus mistérios sejam desvendados”. Reflitamos

O Órgão De Sant’Ana

O rei dos instrumentos foi abençoado e inaugurado no dia 29 de junho de 1962 no coro, à porta da Igreja pelo então Arcebispo Dom Alberto G. Ramos. Foi construído por Edmond Bohn, organeiro e proprietário da fábrica na cidade gaúcha, Novo Hamburgo. Bohn era alemão e usou técnica alemã na fabricação. O órgão é pneumático e não de tração mecânica como o da Catedral.

No local, permaneceu durante vinte anos. No mesmo dia 29 de junho do ano de 1982 o técnico da Sildevani, Sildon Scherer e dois outros o colocaram junto ao altar. Vinte anos foram suficientes para a quase destruição do instrumento, pois atacado por cupins e punilias. Uma desolação.

A campanha para a restauração foi meritória e eu através dos meios de comunicação elucidei os fiéis, para colaborarem. É preciso frisar que o local do órgão é junto ao altar. O órgão deverá acompanhar o coral e o lugar do coral é também junto ao altar. Visitando-se as grandes Basílicas e Catedrais e também mosteiros percebe-se o coro atrás do altar-mor. Com a decadência da música sacra nas igrejas católicas, colocaram o órgão encimando a porta de entrada do templo. A decadência da música se acentuou até o basta do Papa Pio X, quando para toda a igreja, proclamou seu “motu proprio".

Sant’Ana, já disse, foi a minha primeira paróquia e eu padre novo na época não me havia aprofundado na liturgia da Igreja. Ordenado sacerdote fui designado a trabalhar no seminário. Com a descida do órgão todas as manhãs após o café, nele eu me sentava para executar. A igreja, localizada no centro do comércio era muito visitada e às vezes olhava as naves e me espantava. Ela ficava repleta de fiéis. Sant’Ana foi um sonho para mim... O Walter, organista amazonense, nas horas vagas, executava músicas do momento. Nilo Franco em uma de suas crônicas escreveu: “Nunca vi tanta gente ajoelhada para ouvir Roberta”. Roberta era a música da moda.

São estas as características do órgão de Sant’Ana: 08 registros sonoros, 07 registros auxiliares, 02 teclados com 27 teclas, 01 pedal crescendo, 01 pedal gelozia, 03 combinações fixas, 1003 tubos entre flautados e metálicos. O manuseio do órgão não é muito fácil e seu mecanismo é complicado. O motor silencioso do órgão foi colocado na sala do expediente à Rua Manoel Barata.

O referido motor movimenta os foles – outrora o processo era manual. A profissão de foleiro desapareceu com o uso da eletricidade. Grandes tubos e também outros capilares conduzem dos foles o ar comprimido por chapas de ferro para o someiro ou reservatório ligado à centenas de pequenos canais terminados nas válvulas chamadas sopapos. Elas são revertidas com pele de carneiro e facilmente poderão se deteriorar. Requerem-se técnicas para amaciá-las. O organista ao ferir a tecla faz abrir as válvulas impulsionando o ar e assim os lingotes vibram produzindo variedade de sons e de timbres nos tubos de vários formatos. O leitor a esta altura terá percebido que o mecanismo é complicado e requer mão-de-obra especializada semi-artesanal.

Um curioso não poderá pretender restaurar órgãos. Quando Guy Bouet, organeiro suíço visitou o órgão da Catedral disse-me: “Padre, cuidado com esta preciosidade. Evite intervenções curiosas, pois poderão destruí-lo. Retirou o timbre Cavaille Cóll para eu guardar. Foi o que fiz. A primeira iniciativa para restaurá-lo foi infrutífera. Cheguei a fazer pedido de dispensa de imposto, ao então Presidente José Sarney em Brasília. Ele não me atendeu. Finalmente a segunda iniciativa teve êxito e o órgão da Sé voltou a funcionar depois de verdadeira “via crucis”. Devo por justiça mencionar dois ilustres personagens: Marco Marcelino e Dr. Hélio Gueiros, então prefeito municipal. O povo, em geral, ajudou muito e os meios da comunicação facilitaram a campanha.

Esta crônica eu a escrevo para focalizar a gravidade do assunto. Foi um crime imperdoável deixarem estragar o órgão de Sant’Ana. De dois em dois anos, o instrumento era revisado em parceria com o pároco da Basílica, padre Machado. Nós nos revezávamos nos custeios das passagens e hospedagens para os técnicos. Eu não qualifico de burrice, por respeito ao leitor terem colocado o órgão de Sant’Ana encimando a porta de entrada do templo. Esta colocação fere a liturgia da Igreja e motiva deterioração rápida do instrumento neste clima quente e úmido da cidade de Belém. Tudo se vê neste mundo e nesta distante Amazônia.

Para a História - A GOTA MILGROSA

No meu arquivo, encontra-se o opúsculo escrito pelo segundo Arcebispo de Belém Dom Santino Maria da Silva Coutinho: “O caso da Egreja de São João”, escrito na grafia antiga, reportando-se ao latim “ecclesia” (igreja): “Todo aquele que tem alguma noção de responsabilidade não pode ficar indiferente ao que ocorreu na Igreja de São João na noite de 26 de agosto de 1918”. Durante o culto prestado a Nossa Senhora da Consolação, uma senhorita e depois os fiéis presenciaram deslizar sobre a face da imagem, uma visível lágrima.

Pessoas inúmeras correram ao Arcebispado para relatar o acontecido, desejando a imediata presença do Arcebispo. Dom Santino ordenou o fechamento da Igreja, o que foi impossível. Multidões logo se formaram. Os jornais matutinos divulgaram a notícia. Começaram as romarias. Todas as camadas sociais se sensibilizaram.

Às 10h30 da manhã seguinte do dia 27, acompanhado de sacerdotes e fiéis o Dr. Rodrigues dos Santos, médicos outros e laboratologistas, os farmacêuticos Odorico Kós e Felipe de Souza e também advogados, retiraram o vidro frontal do altar para facilitar o exame nos olhos da imagem. “A lágrima continuava visível na pálpebra inferior do olho direito, qual substância exsudada, semelhante a gota solidificada e foi na região mentoniana”. Retirada foi, e encaminhada para análise química onde, no mesmo dia 27 de agosto ás 03h00 da tarde, o diagnóstico confirmou ser uma gota de parafina.

A gota de parafina foi chamada de gota milagrosa. Na verdade, alguma substância cerosa foi usada pelo escultor. Dom Santino justificou seu proceder ao recorrer à ciência da época. A justificativa é longa e poderá, julgo eu, ser encontrada também nos arquivos do Arcebispado se é que ele ainda existe... “A religião, disse o Arcebispo, não pode aceitar como milagroso qualquer fenômeno. É verdade que ela não é somente conjunto de dogmas e de preceitos. É um corpo científico que repousa na razão. O dogma não dispensa a racionalidade. Se a razão humana não o atinge positivamente, demonstra-o ao menos negativamente. “A exposição a guisa de circular é longa, cheia de citações bíblicas e dela eu retirei alguns tópicos.

No presente relato, desejo relembrar o fato histórico acontecido na cidade, que sensibilizou a população, letrados e incultos. A coerência histórica não despreza o acontecido. Depois, desde o ano anterior, fenômenos religiosos aconteceram no mundo e cito Portugal com a aparição do Anjo da Paz. Depois a Virgem Santa de Fátima em Leiria que pediu a conversão do mundo e que rezassem o terço e consagrassem a Rússia à Mãe de Jesus.

Na época, surgiu o bolchevismo, doutrina esquerdista do partido social-democrático que depois se dividiu, pois a maioria exigia a revolução proletária, propiciando então a Lênin apoderar-se do governo, fundando-o em março de 1918 o Partido Comunista. Aqui entre nós, foi terrivelmente triste, a hecatombe da gripe espanhola. Em Belém e no mundo aconteceram mais de 20 milhões de óbitos. Tudo no ano de 1918.

A esta altura, eu pergunto ao leitor: onde se encontram os marcos do acontecido? Onde o altar, relicário da Virgem que chorou lágrimas de cera sim, mas a guisa de sinal e advertência. A Bíblia fala sempre sobre os sinais de Jesus. Deus se serve de sinais comuns e triviais da vida para alertar, admoestar e prevenir. Dizer que o acontecido foi ignorância religiosa é um desrespeito aos antepassados, às famílias, aos pais e avós que geravam os filhos para o hoje.

Eu vi o referido altar da Igreja de São João jogado à entrada do antigo Arcebispado, hoje transvertido em Museu para gerar divisas não para a Igreja. Não só Isto. Qual o sinal por onde desceu Dom Romualdo Coelho para acalmar os cabanos que desejavam incendiar a Catedral? Onde o vestígio da queda brutal do Arqui-abade beneditino D. Zeler? Onde os aposentos papais? Onde as dependências do bispo mártir D. Antônio de Macedo Costa, transformados em sanitários? Na Igreja de São João, no lugar dos altares colocadas foram, prateleiras de vidro. Foi uma década de chumbo aquela última do século passado. Na Igreja de Santo Alexandre, vidros modernos... etc etc etc. E o desaparecido lavabo da Igreja de Santo Alexandre.

Está patente a displicência ou o descaso de quem recebeu o valioso acervo histórico. Os líderes religiosos não souberam zelar e defendê-lo. Deixaram “Pintar e bordar”. Os ingênuos, acreditaram na balela de um pseudo culto idolátrico a Landi. Foi um colocar de máscara anunciando volta ás origens. Na verdade, o que aconteceu foi um festival de vaidades, sibaritismo e megalomanias.

A Gruta de Lourdes



Dizem que são trágicos os finais dos séculos. Parece até que existe um pouco de verdade. Entre nós o passado século mutilou templos, como o da Basílica de Nazaré, quando retiraram dela os púlpitos. Pe. Afonso lá do céu, deverá ter ficado ranzinza. Era só terem avançado o presbitério até eles, tornando-o amplo. Na verdade quem entra na Basílica sente a incomum majestade do templo e logo se decepciona com o diminuto presbitério. A liturgia da palavra com aqueles púlpitos seria esplendorosa. Nas laterais do ampliado presbitério que não aconteceu, os fiéis ficariam dispostos na forma coral... Aconteceu que o vaidade se meteu e deu no que deu...

O final do séc. XIX foi também terrivelmente difícil para o mundo. Os racionalistas gargalhavam do sobrenatural chamando os católicos de ultrapassados porque aceitaram a infalibilidade pontifícia e a proclamação do dogma da Imaculada (1854). Maria Santíssima então a sorrir e sempre a sorrir para Bernardette Soubirous na Gruta de Massabielle – França apareceu a essa menina do campo e disse-lhe: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

A primeira aparição aconteceu no dia 11 de fevereiro e continuou a repetir-se por 18 vezes. Grandes multidões logo se formaram até hoje. Os peregrinos são do mundo inteiro. Por três vezes eu visitei Lourdes e Fátima. A procissão dos enfermos proporciona benção individual do SS. Sacramento. Deslumbra a procissão das velas ao cair da noite. Em Lourdes construíram três Basílicas superpostas, além daquela outra subterrânea encimada por grandiosa praça. Os milagres de Lourdes comovem, o banho nas piscinas não contaminam. As águas jorram da fonte milagrosa.

A devoção a Nossa Senhora de Lourdes se espalhou no mundo inteiro. Em Belém temos a da Capela de Lourdes frequentadíssima e que irradia piedade séria conduzida pelos reverendos padres jesuítas. Em Icoaraci o Colégio das Irmãs com o nome de N. Sra. de Lourdes. Muitas senhoras têm o nome de Lourdes. No coração do comércio de Belém existiu a Gruta de Lourdes localizada na Igreja de Sant’Ana e que fazia lembrar a de Massabielle. O Arcebispo D. Antonio de Almeida Lustosa visitava sempre esta Gruta e escolheu a data de 11 de fevereiro para sagrar-se bispo.

Pe. Afonso de Giorgio todos os anos se dirigia a 11 de fevereiro para celebrar na Gruta. Ela foi preparada pelo Pe. Domingos Dias Maltez que depois recebeu o título pontifício de Monsenhor e que na cidade era conhecido como o padre mestre. O Cônego Manoel Andrade o chamou de príncipe dos párocos de Campina. Pe. Florêncio Dubois escreveu: “Mons. Maltez, o vivificador da Igreja de Sant’Ana adquiriu na França as imagens do Senhor Morto, de Jesus Ressuscitado, de São Pedro. De lá trouxe paramentos preciosos e conseguiu com o Papa Pio X em 1906 ricos privilégios para esta Gruta como indulgência plenária no dia da Festa, missa privilegiada a quando das celebrações, o paramento azul e outras alfaias.

Personalidades ilustres freqüentaram a Gruta como o major Afonso Dourado, Isaias Oliveira da Paz, Carlos Soutelo Contente, o inspetor Pantoja e outros. Meus leitores nada foi considerado. Rebentaram a Gruta. Destruíram a Gruta de Lourdes da Igreja de Sant’Ana As publicações confundiram como aquela de um jornal no caderno “Cartaz” do dia 13 de outubro que relata: “Dom Vicente diz que a residência permanece. Permaneceu? A residência foi demolida e também a a antiga escola paroquial da Campina fundada pelo ínclito Mons. Maltez. Não sei se o pároco da Igreja foi ouvido. Se ouvido foi, não o atenderam pois ele parece não ter sido omisso. Os outros não têm a vivência quotidiana do templo. Chegam como “espalha-brasa” para destruir em desrespeito aos párocos, mutilando origens e a história...

Na década de chumbo, as demolições quase sempre partiram de um fervoroso devoto de Yemanjá. A comparação que irei fazer poderá ser até vulgar, mas eu a coletei em Roma a quando dos estudos sociais: Os párocos passaram a ser considerados substância pastosa a se conterem na fôrma quando fabricam “pão de ló”. Os párocos de Sant’Ana e da Catedral estão vivendo dias difíceis depois de terem sido despojados da dignidade humana como a de nem ter onde morar. Onde o Direito Canônico? Onde a sensatez? Agora, vá o de “méritos” comprar um quilo de café. Ele se embananará todo porque nunca fez compras deste jaez. Viveu flutuando em cascos míticos. É um horror o que fizeram na igrejas de Belém.

Para terminar eu pergunto: Onde os vestígios de uma sepultura existente na Igreja de Sant’Ana? Teria sido a sepultura de Landi? Ninguém pesquisou. Simplesmente apagaram o vestígio assim como fizeram com os escritos do presbitério relembrando o VI Congresso Eucarístico Nacional. Meu internauta: O verdadeiro turismo se queda absorto em contemplar vivências do ontem e do hoje e sente repugnância pela destruição dos inícios...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Após uma leitura – Celibato.


Terminei a leitura do livro do professor Fernando Mariano Rodrigues, antigo colega do Seminário. Ele era do Menor. Naquele tempo, convidado fui pelo então seminarista José de Ribamar seu colega de divisão. Fomos à Salinas, deslumbrando-nos com o incomensurável oceano e suas dunas, mostradas pelo Modesto, seu irmão. A família nos recebeu. Dele e com atenção, li um outro de seus livros: “Saudades de Minha Aldeia”. Leitura objetiva, simples e escorreita que me fez recordar tanta coisa e conhecer inícios outros como o do Benjamim Marques.

Sobre o livro “Padres Amantes” (título apimentado), deve ser lido e refletido. Após o Concílio Vaticano II, no “De Eclésia” os conceitos evoluíram e o grande evento afirmou que a Igreja deva ser entedida como o povo de Deus em marcha, para descobrir verdades. “Quid est veritas?” O que é a verdade? A verdade é Deus. Como verdade Ele se derrama no universo e os mais ousados vão descobrindo existências e realidades até antão desconhecidas. Julgo ter sido esta a intenção do Fernando ao focalizar a imagem do padre como homem diferente e não mutilado. Quando garoto eu quis ser diferente e por isso empolguei-me com o sacerdócio. Aliás, todos somos diferentes. Temos a inconfundível personalidade.


A seriedade do Fernando foi visível no seu pesquisar. Todo pesquisador deve ser sério e o Fernando Mariano não admitiu leviandades no seu livro. Ele focalizou no padre o celibato obrigatório. O celibato é um dom, mas é de se notar que Deus não deu a todos esse dom. Os dons foram distribuídos de acordo com a sua insondável vontade. Muitos receberam o dom para a vida celibatária, mas não a maioria. Vale notar que existem homens e mulheres celibatários, sem ser padres ou religiosas. Se todos fossem celibatários de há muito tempo o gênero humano teria desaparecido, o que contrariaria o Senhor que ordenou às criaturas se multiplicarem. No entanto, todos deverão proclamar a gloria do Senhor: “Os céus e a terra cantam a glória do Senhor”, diz o Salmista. Entre os que anunciam e querem anunciar mais forte o Senhor, encontram-se os não celibatários. Por que os fazer calar?...O serviço de glorificação ao Pai, não deve ser exclusivo dos célibes. Jesus escolheu também casados para o serviço. Tenho a impressão de que as razões de conveniência levaram a Igreja a exigir o celibato obrigatório e não o celibato optativo para o serviço. Razões de conveniências são razões humanas e não bíblicas.

Considerando meu caso particular, eu jamais teria casado. Não teria dado certo. Sou agradecido a D. Mario que me deu o titulo de Cônego e a D. Alberto ter conseguido para mim o título pontifício de Monsenhor, mas eu sempre preferi o de padre. Padre quer dizer pai. Pai espiritual e não carnal. Pai carnal também não me empolgou, mas eu sou eu e muitos dos meus colegas sacerdotes não são iguais a mim. Deus me conduziu a este caminho e eu sou feliz. Padre para sempre. Agora devo dizer: Na velhice eu sinto a solidão. Moro sozinho em Marituba. Eu e Deus. Às vezes desejo conversar. Qual é o jovem ou qual é a jovem que deseja morar com um velho de oitenta e seis anos? Qual é o parente que se irá voltar complacente a este velho e também qual o eclesiástico? Eu já tive duas vezes edema pulmonar agudo. O edema pulmonar agudo é fatal, mas eu não morri. Apareceu gente caridosa para me socorrer. No entanto aceito o pensamento de Santo Agostinho: “Solidão, teu nome é inferno”. O Fernando cita essa passagem à pagina 122.


A solidão se distancia do preceito Divino da caridade ou do amor “Amai-vos uns aos outros”. Amar a quem se se estar só? O verdadeiro amor não é etéreo. O verdadeiro amor é pessoal, porque se radica em Deus que é Uno em substancia e Trino em Pessoa. A esta altura considere-se o tratado teológico “De Deo Uno et Trino” ou o nosso Deus substancialmente é Uno e Trino nas Pessoas. O mistério se detém na expressão latina circumiscestio que aponta o Pai a se voltar ao Filho para do Filho pelo amor, retornar ao Pai qual amoroso círculo de entrega para a posse. Entrega sem volta não é amor. Onde se viu amor de uma banda só? Na família o esposo se lança à esposa para se rever no filho gerado... ”carne da mesma carne”. O Divino Espírito Santo nada mais é que o amor do Pai para o Filho ininterruptamente retornado. Afirmações outras, não são verdadeiras. Por que radicalizar-se então a não verdade?

O que anima é saber que tudo passa. A verdade sim, não morre e também as idéias honestas. Outros encontrarão solução para os mil problemas na Divina Palavra, isto é, na Bíblia. É preciso saber ouvir o Senhor. Sua palavra é diferente do linguajar humano. A Igreja institucional começou a pedir perdão e um dia poderá repetir o gesto. É bom que o equilíbrio leia o livro para refletir, para meditar e para agir. O mundo anseia por novidade e a grande novidade é Cristo. Se Ele for ouvido outra será a fisionomia do social em todos os presentes. Parabéns. Felicito leitor

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Comentário do Dia.

Há alguns dias o Pará e o Brasil ouviram denúncias de três bispos católicos: o de Soure no Marajó, o de Abaetetuba e o de Altamira. Eles se juntaram à grita diária dos meios de comunicação social. Alguns estranharam a denúncia dos bispos. Os três bispos foram até pacientes na espera. " Servir é reinar". A autoridade existe não em proveito próprio como o de receber honrarias ou elogios e sim para colocar-se em disponibilidade e atender ou resolver contendas, clamores e insatisfações. Julgo que as autoridades deveriam ficar agradecidas aos meios da comunicação social e aos senhores bispos que lhes apontam pistas reais e assim juntos encotrarem soluções. "A união faz a força

domingo, 11 de maio de 2008

Novos Pecados Capitais –II

Continuando o iniciado sobre pecados capitais, lembro-me de Santo Agostinho: “Pecado é qualquer ação ou desejo contra a lei eterna de Deus.” Escrevi ainda sobre o livre arbítrio ou a capacidade da criatura humana ser livre no exercício da vontade. Infelizmente ela abusa do privilégio e resvala. A reta preferência leva a imitar-se o sumo Bem “Imitatores mei estis” ou “sejam meus imitadores” diz o Senhor.
A Igreja ao sentir indesejáveis comportamentos, escolheu sete deles e os chamou de pecados capitais. O termo não é bíblico. Ele se prende a perspicácia mística. São eles: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. O termo “pecados capitais” se reporta a “caput” palavra latina que significa cabeça. Na verdade eles são como que a cabeça que dá ordem ou se torna fonte e origem de tantos desatinos...


É mais do que sabido que todo comportamento contra o Senhor, contra si mesmo e contra o próximo é pecaminoso. Se ele origina atitudes anômalas outras, “in lacto sensu” poderá ser considerado pecado capital. Vejamos: a soberba gera o orgulho, a vaidade, a arrogância, a prepotência, a auto-suficiência, a jactância. A ganância e a gula poderão gerar a exploração da pessoa humana. A destruição do meio-ambiente poderá gerar o enriquecimento ilícito, contendas, brigas e até a morte. Quantos já morreram nos campos? Também se deve considerar os direitos fundamentais da natureza humana como o aborto, eutanásia, inseminação artificial, o uso de células-tronco embrionárias, clonagem humana se provocarem a morte ou a destruição do zigoto.


O Vaticano não publicou nenhum edito novo sobre pecados capitais. O Papa não falou sobre o assunto. No Brasil Dom. Sinésio Bohn explicou em sua diocese que jamais houve uma nova lista de outros mandamentos. Não se pode negar que o mundo está atônito ante os desatinos acontecidos e noticiados a cada instante. Ninguém, está seguro. Mata-se e fica por isso mesmo. A revista Veja do dia 30 de abril publicou de Lya Luft “seu ponto de vista em menina quase morta, sozinha.” Tratou da menina Isabela explorada a exaustão pelos meios da comunicação social...


Lya Luft desta vez foi contundente: “Quem cometeu essa bestialidade terá seu merecido castigo nesse país de impunidades e de leis atrasadas?” Cita depois um menino de quinze anos que confessou na maior frieza assassinatos de dezessete pessoas. “Matei sim, e daí?” Lya Luft termina: “Eu quero mais, quero pena de morte independente da idade”.Ela falou ainda sobre a balela dos institutos de ressocialização. Pena de morte também foi pedida para o assassino do menino de Bragança. O enterro abalou a cidade, mas parece que ficou no esquecimento...


Meu leitor, isto é terrível. A grita dos bispos do Xingu, de Abaetetuba e de Soure não ecoou onde deveria ecoar. Até juristas peremptoriamente comentaram: “As adolescentes consentem em embarcar. Elas partem sabendo de tudo”.Sabendo de tudo? Sabendo que vão terminar como escravas negras?... Na verdade, interesses velados se têm transformado em princípios legais na tentativa de justificar o ilícito e a impunidade. Lembro dos conceitos de Feuerbach ao agredir o mundo capitalista: “Eles fabricam suas leis e depois se ajoelham diante delas e as adoram”. É a lei...Vamos observar a lei...”A lei torna-se imoral quando agride a consciência. A jornalista citada acima cita as “leis frouxas existentes no Brasil”. Na verdade, muitas leis se esclerosaram. Quando irão reformulá-las? O tempo não é para se tripudiar com o sério e com o justo. O tempo não é para se alcandorar a irresponsabilidade”.


Para mim, os meios da comunicação ao tratar repetido sobre o caso Isabela, não estão exagerando. Isabela no momento se tornou um símbolo. Ela resume os maus-tratos infantis, a prostituição, o desamparo, a ira, a luxúria, o ciúme, o desespero, o mal a pular em cada esquina. Urge que todas as forças vivas e conscientes não compactuem com o mal avassalador. As trevas dos comportamentos criminosos invadem a vida das famílias, das cidades, deste e dos outros Estados do Brasil. Ninguém respeita ninguém. Igreja, bispos, autoridades, todas as autoridades, governos, policia, médicos, crianças, universitários são desrespeitados. Parece que no mundo desapareceu o temor de Deus. Minha gente, é preciso refletir-se e agir. Agir sem titubear e sem vacilar. Esta faltando no mundo o reconhecimento de Deus.

Novos Pecados Capitais -I

Pediram-me que escrevesse sobre os novos pecados capitais. Para atender o pedido inicio este prólogo focalizando idéias gerais sobre o pecado.
Deus é infinitamente perfeito. Ele é a causa primeira e a origem de todas as origens. Do universo criado, destacou o humano e o dotou de inteligência e vontade. A inteligência para aclarar e a vontade para determinar o comportamento. Chamam a esses dons de “sentidos da alma”. A inteligência, pois nos leva à retitude no agir. A vontade determina-se aclarada pela inteligência. Acontece que a vontade é indecisa e muitas vezes prefere quinquilharias... mestres espirituais ensinam: “ sede escravos da inteligência ou da consciência e senhores da vontade.”

A escolha do não propicia a negação do bem que é o mal. Age-se assim por egoísmo? Por egocentrismo? Na verdade centros outros são preferidos em vez do centro certo e justo que é Deus. O criado não poderá centralizar o universo. O ser criado, por mais completo que seja está cheio de engrenagens e de peças que o fragilizam. O ser criado traz em si o sinete de criatura que se ajusta e desajusta como o ódio contrário ao amor, como a tristeza o oposto da alegria como a noite que nega a luz. O mal jamais poderá servir a pesquisas, e por isto a neurociência jamais poderá explicar o mal no mundo. O mal na linguagem teológica é conhecido como pecado. Com efeito, os dez mandamentos ou o decálogo não observados ou negados atingem a Deus e ao próximo.

As igrejas cristãs se fundamentam na Bíblia para definir o pecado. É preciso se ter fé e muita fé para compreender-se a linguagem de São Paulo que fala sobre o “mistério da iniqüidade”. Na presente hora o estonteante é que a iniqüidade parece começar a ser considerada como normal. Idolatra-se o egoísmo, a vaidade, a soberba, a ganância a luxúria, a perversão. Os teólogos explicam tal comportamento como a negação do bom, do bem, da lei de Deus e também da lei natural impressa na consciência universal. É a lei do amor, do respeito, da partilha. Relato um caso acontecido na minha gestão Sant’Ana lá na Oleana, corrente do Apeú. Um caçador disse-me: “Padre, eu jamais caçarei macacos para comer. Prefiro outras caças como cotias, veados, pacas. Certa vez atirei em um macaco que brincava de galho em galho com um macaquinho. O chumbo da espingarda atingiu o macaquinho. A macaca vendo-o ferido, começou a dar guinchos ou gritos, mostrando o macaquinho cheio de sangue. O sangue do animal fez pular meu coração”...Até os brutos choram e protestam contra o mal.

A Bíblia diz que o mal teve início na queda dos anjos. Lúcifer, o portador da luz, tornou-se trevas. Pretendeu identificar-se com Deus. Deus o permitiu. Se o humano foi galardoado como livre arbítrio, imagine o leitor a liberdade na natureza angélica. Deus respeita a sua obra. O conhecimento angelical é mais perfeito porque é intuitivo. O humano não poderá prescindir da matéria. O anjo é puro espírito.

Depois desta introdução elucidativa irei repetir as publicações do conhecido focalizando a negação de comportamentos em detrimento do justo e do normal. A inocência da menina Isabela foi trocada pela morte. O corpo ferrado com ferro em brasa para animais maculou o corpo do adolescente, o comportamento satânico matou os irmãos Novelino, o bebê lançado no lago da Pampulha pela mãe opôs-se ao amor materno, o garoto Hélio arrastado pela delinqüência de jovens substituiu bom-senso, o pai ao deixar o filho para o vestibular, foi sadicamente morto, o índio foi queimando, para provocar risos de gente endinheirada. Os exemplos continuam...

Do passado, um só exemplo. Na Grécia Antiga, Heróstato da Eufrásia para tornar-se célebre, incendiou o templo de Diana. Agora, para terminar, cito jornalista da revista Veja: “O ser humano age como besta”.

As igrejas, os meios da comunicação social, os governos e todas as autoridades deverão estar atentos. Nada de justificativas e nem balanços de cabeça, nada de querer desculpar a iniqüidade. O bem é negado a cada instante. Arregalem-se os olhos. É Deus e a criatura humana que estão em jogo. A cólera divina é terrível. A consciência universal está sendo substituída pela impunidade. O legal pelo anárquico, a seriedade pela maldade, a segurança pela insegurança. O bem pelo mal. Está havendo uma verdadeira dissonância no mundo à guiza de trio infernal. No próximo, escreverei sobre pecados capitais propriamente dito.