O sino maior da Sé trincou ao ser balanceado para a Missa
de Ação de Graças pela vitoria nas urnas como Prefeito Municipal de Belém o
dileto amigo Said Xerfan. Espantei-me com o pressagio que depois se concretizou.
Xerfan renunciou para candidatar-se governador do Estado na eleição seguinte. Perdeu.
Muitos afirmaram que houve fraude, o que acontecia freqüente na contagem “voto
a voto”. Eu não sei, só sei que o acontecimento funesto me afetou. O então SPHAN
não permitiu que houvesse refundição, pois os sinos perderiam a identidade.
Sobre isto eu já escrevi.
Antes de lançar a
campanha, eu pesquisei e muito, sobre sinos, consultei especialistas e até o
Senhor Cardeal Dom Eugênio Sales, Arcebispo do Rio de Janeiro. Foi S. Emma. quem
me indicou a Fundição Angeli. Fiz descer da torre todos eles, pois alguns tinham
os cabeçotes apodrecidos. A descida foi fartamente noticiada e eu guardo cópia
do que foi publicado.
O SPHAN por sua vez convocou de Brasília técnico, que ao
chegar à Belém, logo no dia seguinte acompanhado do Superintendente regional e
do Arcebispo foram à Catedral, Eu os recebi e os introduzi na minha sala
mostrando-lhes peças de alfaias, pedindo ao técnico que selecionasse as
originais das cópias. O referido técnico se “embananou todo”. Não perdi tempo e
logo comecei a falar quando o Arcebispo pediu que eu ouvisse o técnico. Então virei
- me a Dom Alberto: Excia., aqui estou nomeado por V. Excia. que neste momento
poderá anular a nomeação. Ele silenciou.
Não lhes dei tempo, pois a esta altura
já me havia certificado que o
visitante não era técnico em sinos e sim como confessou depois, ser técnico de soldar cascos de navio. Então eu
falei pausadamente: Doutor, as ondas marítimas são muito diferentes das ondas
sonoras... Não havendo clima, o encontro foi encerrado e ao saírem ele, o
pseudo-técnico, voltou-se, bateu no meu ombro dizendo: Gostei da sua
argumentação. Eu os deixei sozinhos... Aproveito o momento para afirmar em “alto
e a bom som” que as repartições governamentais estão saturadas de políticos aproveitadores.
Os terceirizados contratados não entendem de igrejas, de suas necessidades, de
cânones e de liturgia. Tufam o peito arrotando autoridade, ameaçando de prisão como
a mim fizeram várias vezes e projetando babilônias... Como prosseguiu a novela?
Em uma madrugada, bem tranqüila, a porta central do templo se abriu e os sinos
embarcaram diretamente à São Paulo. Viajaram todos embrulhados nas peças
de fazendas compradas pela Catedral. Lá chegando, foram logo trabalhadas
sem alterações. Inscrições e datas se conservaram.
Agora para terminar: Uma semana depois do embarque, sem
eu esperar vi Dom Alberto e o Superintendente à porta da sala do expediente
paroquial. Ao cumprimentar-lhes falou o Arcebispo: “O Dr. Superintendente quer
visitar os sinos”. Os sinos á esta altura já haviam embarcado com a ordem do Arcebispo
que só colocou uma condição: não lhe criar problemas. Não perdi a calma. Falei
forte: O que? Ouvindo o que já ouvira antes continuei: Ora bolas! Eu tenho mais
o que fazer. Virei às costas e saí rápido. Não sei dizer qual a reação dos
dois.
Á hora do jantar, rumei ao Arcebispado para desculpar-me.
Dom Alberto embora tímido, sempre teve uma cabeça privilegiada, falou-me: Você
se saiu muito bem. Você não tem porque se desculpar.
Meu leitor, escrevi
este relato para dizer o que pessoas erradas fazem ao ocupar o lugar de
competentes. O SPHAN ou o IPHAN como hoje é conhecido poderá ser muito útil ao
Brasil e ao universal mundo cultural se entre eles houvesse um mínimo de sensatez
Nenhum comentário:
Postar um comentário