segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Os sinos da Sé


A campanha para a refundição dos sinos da Sé, dentre todas, foi a mais agitada. O SPHAN fez de tudo para que ela não acontecesse. Dom Alberto Ramos, o antigo Arcebispo disse-me que o pedido de auxilio, feito ao Banco do Brasil, estava na mesa do diretor geral do banco ou superintendente (não sei ao certo o cargo).
O SPHAN embargou o pedido dizendo que, se os sinos fossem refundidos eles perderiam a identidade. Os argumentos foram tolos e grotescos. Eu então publique: Todos aqueles que desconhecem o sentido do termo identidade, não tem cultura. O delegado da cultura não conhece o termo identidade. Logo, o delegado da cultura não tem cultura.
Prova: ele disse pelo rádio que o refundir sinos, faz perder a identidade. Isto raia pelo absurdo. Então o delegado da cultura bateu e unha. A Unha batida do delegado da cultura foi extraída e nasceu outra. A unha nova do delegado da cultura não é e unha original, logo, a nova unha do delgado da cultura é um absurdo.
O delegado da cultura cortou o cabelo. A lógica do delegado da cultura diz que o novo cabelo do delegado da cultura é um absurdo, porque não é mais o cabelo original.
A lógica do delegado da cultura vai se estendendo. O delegado da cultura nasceu pequeno e tenro. O delegado pequenino foi crescendo, mas o alongamento do delegado da cultura é um absurdo porque ele deixou de ser o original. O original foi restaurado pelo Divino Artista, Deus, nosso Senhor. Na lógica do delegado da cultura, Deus cometeu um absurdo, porque fez crescer o delegado da cultura e não conservou o original para ser colocado num museu.
Conclusão: o Delegado da cultura não é o delgado da cultura, por que não é o original. Que diabo é então o delegado da cultura? Na verdade, nem o diabo sabe o que venha a ser o famigerado delegado da cultura.
O diabo tentou o delegado da cultura, para fazer miséria, mas como delgado da cultura não é o delegado da cultura, porque não é o original, ele, o diabo, deixou de tentar o delegado da cultura, porque o delgado não tem cultura e sem cultura, ele não pode ocupar o cargo de delegado da cultura.
Se o delgado da cultura não tem cultura, por que então ele ocupa o lugar do verdadeiro delegado da cultura? Só resta se conclamar o clero de Belém, os bispos do Estado e o povo cristão a fazer pedido ao Ministro da Cultura para mandar sim, um verdadeiro Delegado que tenha cultura. Afinal de contas, são os sinos que estão em jogo.
Mas deixa isto para lá. Quando um sino trinca, ele perde o timbre, ele se torna um sino morto. Um não sino. Sino morto não funciona. Deixar sino morto em museu não é deixar o sino original. Remendos também desfiguram o original, maculam a verdadeira identidade do sino que deixou de ser original.
“É somente isto que eu acho interessante na disputa sobre os sinos”. Foi o comentário do jornal “A Voz de Nazaré”. O comentário foi fraco, porque nivela os absurdos do delegado da cultura com a sensatez ou o acertado pensar.
Eis o epílogo: os sinos foram refundidos e estão nas torres, convocando os fiéis para o culto. É esta a função dos sinos nas torres das igrejas. Breve relatarei como os sinos da Catedral embarcaram à São Paulo para serem refundidos. O embarque propiciou outro comentário novelesco. Vale ser lido.

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