A campanha
para a refundição dos sinos da Sé, dentre todas, foi a mais agitada. O SPHAN
fez de tudo para que ela não acontecesse. Dom Alberto Ramos, o antigo Arcebispo
disse-me que o pedido de auxilio, feito ao Banco do Brasil, estava na mesa do
diretor geral do banco ou superintendente (não sei ao certo o cargo).
O SPHAN
embargou o pedido dizendo que, se os sinos fossem refundidos eles perderiam a
identidade. Os argumentos foram tolos e grotescos. Eu então publique: Todos
aqueles que desconhecem o sentido do termo identidade, não tem cultura. O delegado da cultura
não conhece o termo identidade. Logo, o delegado da cultura não tem cultura.
Prova: ele
disse pelo rádio que o refundir sinos, faz perder a identidade. Isto raia pelo
absurdo. Então o delegado da cultura bateu e unha. A Unha batida do delegado da
cultura foi extraída e nasceu outra. A unha nova do delegado da cultura não é e
unha original, logo, a nova unha do delgado da cultura é um absurdo.
O delegado da
cultura cortou o cabelo. A lógica do delegado da cultura diz que o novo cabelo
do delegado da cultura é um absurdo, porque não é mais o cabelo original.
A lógica do
delegado da cultura vai se estendendo. O delegado da cultura nasceu pequeno e
tenro. O delegado pequenino foi crescendo, mas o alongamento do delegado da
cultura é um absurdo porque ele deixou de ser o original. O original foi
restaurado pelo Divino Artista, Deus, nosso Senhor. Na lógica do delegado da
cultura, Deus cometeu um absurdo, porque fez crescer o delegado da cultura e
não conservou o original para ser colocado num museu.
Conclusão: o
Delegado da cultura não é o delgado da cultura, por que não é o original. Que
diabo é então o delegado da cultura? Na verdade, nem o diabo sabe o que venha a
ser o famigerado delegado da cultura.
O diabo tentou
o delegado da cultura, para fazer miséria, mas como delgado da cultura não é o
delegado da cultura, porque não é o original, ele, o diabo, deixou de tentar o
delegado da cultura, porque o delgado não tem cultura e sem cultura, ele não
pode ocupar o cargo de delegado da cultura.
Se o delgado
da cultura não tem cultura, por que então ele ocupa o lugar do verdadeiro delegado
da cultura? Só resta se conclamar o clero de Belém, os bispos do Estado e o
povo cristão a fazer pedido ao Ministro da Cultura para mandar sim, um
verdadeiro Delegado que tenha cultura. Afinal de contas, são os sinos que estão
em jogo.
Mas deixa isto
para lá. Quando um sino trinca, ele perde o timbre, ele se torna um sino morto.
Um não sino. Sino morto não funciona. Deixar sino morto em museu não é deixar o
sino original. Remendos também desfiguram o original, maculam a verdadeira identidade
do sino que deixou de ser original.
“É somente
isto que eu acho interessante na disputa sobre os sinos”. Foi o comentário do
jornal “A Voz de Nazaré”. O comentário foi fraco, porque nivela os absurdos do
delegado da cultura com a sensatez ou o acertado pensar.
Eis o epílogo:
os sinos foram refundidos e estão nas torres, convocando os fiéis para o culto.
É esta a função dos sinos nas torres das igrejas. Breve relatarei como os sinos
da Catedral embarcaram à São Paulo para serem refundidos. O embarque propiciou
outro comentário novelesco. Vale ser lido.
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