quarta-feira, 12 de março de 2008

Células-Tronco II


O Dr. Hugo de O. Rocha com eu e muitos outros observamos que os escritos sobre células-tronco começam a se tornar vazios, pois destituídos de sólidos aguamentos. O publicado está eivado de subjetivismo a se resvalar em crítica à Igreja como obscurantista e entravadora da ciência. Urge a chegada de gente de escol. O momento não é de ofensas e sim de estudos e reflexão. Para nós os crentes, de muita oração.


Constatem-se as publicações da revista Veja da edição 2051, do ano 41, número 10 de 12 de março de 2008. Do publicado, o leitor ainda não percebeu a elementar distinção entre Igreja Institucional e Igreja Mistério. A institucional é humana. Deus a quis assim. Ele não a instituiu com anjos ou puros espíritos descidos dos céus. Ela é plena de contingência, pois a contingência está no humano. O humano tende a perfeição com mil esforços e constantes.


A Igreja é Divina quando transcende o limite da matéria, quando faz propostas de vida eterna, quando aponta Deus o Criador, o Redentor, o Santificador. Ele reflete o fluxo e refluxo, ou melhor a partida do Pai para o Filho provocando encontro de amor que é o Espírito Divino do mesmo Deus uno e trino. O termo teológico é circummiscessio.


É injusto e incoerente julgar-se o passado com os critérios do presente. Quem não errou? Mergulhe-se no passado para julgar o mesmo passado. Neste aspecto a Igreja já pediu perdão várias vezes. Oxalá outras instituições assim o fizessem. Refiro-me agora ao final do artigo ou ensaio do jornalista Humberto Pompeu Toledo, citando Ellen Gracie. O jornalista escreve que naquele momento, “Ellen encarnava os valores da República contra os dogmas da sacristia”. Parece que leio escritos de décadas passadas quando, os revolucionários de 1964 mandavam padres se encerrarem nas sacristias. Os revolucionários foram mais lógicos porque sacristia é um salão onde o celebrante se prepara para as diversas liturgias. Os salões se podem transformar em prisões. Nunca se viu sacristia falar. Sacristia não é um ser vivo, não é um ser organizado biologicamente falando, sacristias não proclama dogmas e nem verdades...


Cito agora a Dra. Ellen que afirma em Paginas Amarelas do mesmo numero da revista Veja: “O nascituro, a criança que aguarda o nascimento são realidades diferentes”. Parece-me lógico dizer-se: São fazes diferentes da vida. Todos sabem que a primeira fase é a da vida intra-uterina, a infância é outra fase, a adolescência outra e assim por diante. A vida da criatura humana vai sempre em ascensão até chegar ao Pai, Criador e Senhor da vida em plenitude.


Continuando, as afirmações da Dra. Ellen: “O nascituro tem direitos limitados como no campo da herança. A pessoa só passa a existir no instante do nascimento com vida. É aí que surge a personalidade jurídica”. Continuando: “O embrião criado in vitro não é um nascituro pois não foi implantado no útero da mãe, nem é pessoa.” Pergunto: Por que então processaram a fecundação in vitro? Para transformar a célula viva fecundada em uma coisa, em um objeto, em uma prótese? A prótese sim, não tem vida. Ela poderá ser metálica e como metal, não cresce e nem se multiplica. A célula fecundada vive, cresce e se multiplica. Por isto a fecundaram in vitro. Continuarei o assunto no próximo artigo. Convido agora o benévolo leitor para o reverso da medalha.

Citando o camiliano Léo Pessine digo: “A bioética quer recriar a vida, mas os homens não devem brincar de Deus”. O termo “brincar de Deus” deverá ser entendido de maneira inteligente. No atual presente, o homem é o auto-criado a sua própria imagem e semelhança. Ele é um co-criador criado de Deus. Com efeito, a natureza humana não é estática. Ela está em processo de evolução da “creatio” continua de Deus pelo homem. O ser humano deve continuar a criação desvendando segredos, o mistério da criação, aperfeiçoando-a. É constatado que a natureza humana não está completa. Existe o sofrimento, doenças e morte. Para aperfeiçoá-la, o conhecimento humano precisa se ater a uma espécie de sabedoria ética. O cientista não concorre com Deus, mas com Ele se aliança, sem querer anulá-lo, pois do contrario fabricará absurdos e conduzirá seu esforço para propiciar mortes. Um paradoxo ou o diabólico?

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