sábado, 22 de março de 2008

Células-Tronco III



Desta vez é diferente. Para variar? Eu nem sei. “varietas delectat” ou “ é bom se variar”. Quero deter-me à lógica filosófica e ao bom senso. Na lanchonete vizinha, alguém pediu café e logo lhe foi servido. O outro alguém começou a reclamar sobre a fumaça saída do charuto. Ninguém fumava charuto e nem cigarro. Havia sim, xícaras inúmeras nas mãos dos fregueses. Xícara não é charuto.

Toda xícara proclama sua identidade. Ela é exemplo da objetividade da verdade. No caso das células-tronco, são freqüentes as afirmações de que a Igreja entrava a ciência, é obscurantista, é cafona e retrograda. Não somente a Igreja Católica, mas são cafonas dizem, todos os que acreditam em Deus e têm fé. Os sem fé vivem no etéreo. Depois de tanta luta o galardão do humano será a cova escura ou o túmulo?...

A esta altura eu convido o leitor para deter-se sobre os inícios. Eles são confusos, nebulosos e difíceis. Lembrem-se: “O começo já é meio caminhado andado”.A Igreja Católica não foi clara no passado quanto ao inicio da vida humana. A ciência ainda não havia chegado ao ponto de hoje. Com a evolução do pensamento científico, a Igreja optou pela lógica, baseando-se nas descobertas (cientificas). Seu amor à ciência é visível nos inúmeros colégios e universidades cristãs espalhadas no mundo. Não foi a Igreja que apresentou ou inventou termos científicos como óvulo, ovócito, zigoto, movimentos peristálticos, mitose, coordenadas pelo DNA, divisões do óvulo após a fecundação, blastômeros de dois, quatro e oito até chegar a mórula transportada ao útero e a respectiva fixação e nidação e também o que se seguiu para originar a blástula, glástula. Foi a ciência que afirmou primeiro as características do zigoto e que ele já era organismo. Tudo muito objetivo. A descoberta científica ajudou a Igreja se definir com precisão. Fundamentada na ciência, sentiu a objetividade da verdade.

A Dra. Fabiana Borja Bastos, especialista em bioética falou claro o conhecido por qualquer estudante de Biologia: “Desde que os vinte e três cromossomos do pai se juntem aos vinte e três cromossomos da mãe está coletada toda informação genética necessária e suficiente para exprimir os caracteres do novo individuo. Aceitar esta evidência não é questão de gosto ou opinião. O zigoto não é o primeiro momento da vida, mas é a vida toda condensada, resumida e apta para ser desenvolvida. Etapas outras irão acontecer como a do nascimento, da primeira infância, segunda infância, adolescência. mocidade, virilidade, velhice e morte.

Procedem as afirmações cientificas porque lógicas. O mandamento “não matar” está impresso na consciência. Ele é lei natural. Para nós os crentes, a Igreja não tem poder de anular a lei de Deus, nem que quisesse. Eu já escrevi e vou repetir: A célula fecundada ou o zigoto não é uma coisa, não é um objeto, não é uma prótese. Ele vive, cresce e se multiplica por que lhe foi infundida a alma imortal por Deus.

Volto-me agora ao início: xícara não é charuto. É o café da xícara que exala fumaça. A xícara tem sua identidade. Quem afirmar ser ela um charuto não está com a verdade. O zigoto é vivo, por isso ele é desejado para implantes. Se vivo não o fosse não serviria para nada. Reflita o leitor: a ciência enquanto o mundo for mundo continuará suas pesquisas, ela haverá de descobrir caminhos sensatos e não criminosos para debelar patologias terríveis que impressionam porque causadoras de vexames e sofrimentos. O cientista, sobretudo o médico que jurou defender a vida, não deverá destruir inocentes, incapazes de gritar pedindo socorro. O crime repugna a sensatez humana...

quarta-feira, 12 de março de 2008

Células-Tronco II


O Dr. Hugo de O. Rocha com eu e muitos outros observamos que os escritos sobre células-tronco começam a se tornar vazios, pois destituídos de sólidos aguamentos. O publicado está eivado de subjetivismo a se resvalar em crítica à Igreja como obscurantista e entravadora da ciência. Urge a chegada de gente de escol. O momento não é de ofensas e sim de estudos e reflexão. Para nós os crentes, de muita oração.


Constatem-se as publicações da revista Veja da edição 2051, do ano 41, número 10 de 12 de março de 2008. Do publicado, o leitor ainda não percebeu a elementar distinção entre Igreja Institucional e Igreja Mistério. A institucional é humana. Deus a quis assim. Ele não a instituiu com anjos ou puros espíritos descidos dos céus. Ela é plena de contingência, pois a contingência está no humano. O humano tende a perfeição com mil esforços e constantes.


A Igreja é Divina quando transcende o limite da matéria, quando faz propostas de vida eterna, quando aponta Deus o Criador, o Redentor, o Santificador. Ele reflete o fluxo e refluxo, ou melhor a partida do Pai para o Filho provocando encontro de amor que é o Espírito Divino do mesmo Deus uno e trino. O termo teológico é circummiscessio.


É injusto e incoerente julgar-se o passado com os critérios do presente. Quem não errou? Mergulhe-se no passado para julgar o mesmo passado. Neste aspecto a Igreja já pediu perdão várias vezes. Oxalá outras instituições assim o fizessem. Refiro-me agora ao final do artigo ou ensaio do jornalista Humberto Pompeu Toledo, citando Ellen Gracie. O jornalista escreve que naquele momento, “Ellen encarnava os valores da República contra os dogmas da sacristia”. Parece que leio escritos de décadas passadas quando, os revolucionários de 1964 mandavam padres se encerrarem nas sacristias. Os revolucionários foram mais lógicos porque sacristia é um salão onde o celebrante se prepara para as diversas liturgias. Os salões se podem transformar em prisões. Nunca se viu sacristia falar. Sacristia não é um ser vivo, não é um ser organizado biologicamente falando, sacristias não proclama dogmas e nem verdades...


Cito agora a Dra. Ellen que afirma em Paginas Amarelas do mesmo numero da revista Veja: “O nascituro, a criança que aguarda o nascimento são realidades diferentes”. Parece-me lógico dizer-se: São fazes diferentes da vida. Todos sabem que a primeira fase é a da vida intra-uterina, a infância é outra fase, a adolescência outra e assim por diante. A vida da criatura humana vai sempre em ascensão até chegar ao Pai, Criador e Senhor da vida em plenitude.


Continuando, as afirmações da Dra. Ellen: “O nascituro tem direitos limitados como no campo da herança. A pessoa só passa a existir no instante do nascimento com vida. É aí que surge a personalidade jurídica”. Continuando: “O embrião criado in vitro não é um nascituro pois não foi implantado no útero da mãe, nem é pessoa.” Pergunto: Por que então processaram a fecundação in vitro? Para transformar a célula viva fecundada em uma coisa, em um objeto, em uma prótese? A prótese sim, não tem vida. Ela poderá ser metálica e como metal, não cresce e nem se multiplica. A célula fecundada vive, cresce e se multiplica. Por isto a fecundaram in vitro. Continuarei o assunto no próximo artigo. Convido agora o benévolo leitor para o reverso da medalha.

Citando o camiliano Léo Pessine digo: “A bioética quer recriar a vida, mas os homens não devem brincar de Deus”. O termo “brincar de Deus” deverá ser entendido de maneira inteligente. No atual presente, o homem é o auto-criado a sua própria imagem e semelhança. Ele é um co-criador criado de Deus. Com efeito, a natureza humana não é estática. Ela está em processo de evolução da “creatio” continua de Deus pelo homem. O ser humano deve continuar a criação desvendando segredos, o mistério da criação, aperfeiçoando-a. É constatado que a natureza humana não está completa. Existe o sofrimento, doenças e morte. Para aperfeiçoá-la, o conhecimento humano precisa se ater a uma espécie de sabedoria ética. O cientista não concorre com Deus, mas com Ele se aliança, sem querer anulá-lo, pois do contrario fabricará absurdos e conduzirá seu esforço para propiciar mortes. Um paradoxo ou o diabólico?

terça-feira, 4 de março de 2008

Células-Tronco

Embrião humano na fase de blastocisto,
do qual se extraem as células-tronco embrionária.
Fonte da Imagem:



Li à página 4-Brasil Hoje do Diário do Pará datado de 3/3/2008: “Supremo fará julgamento histórico”. Agora sintam o destaque: “A depender do resultado, todos vamos para o inferno”. Deboche? Eles se o forem, irão conscientes, pois assumiram e assumindo, não temeram o castigo eterno. Convictos, evocam a ciência, mas a ciência ainda não conseguiu dominar enfermidades com células-tronco. Elas são versáteis. A pretensão de levar pessoas com patologias degenerativas e em cadeiras de rodas é comovedor e teatral. Julgo eu, ser isso desumano. Mayana Zatz em Páginas Amarelas da revistas Veja da edição 2050, número 9 do ano 41 (5/3/2008) dá exemplo: “Eu injeto células-tronco para regenerar o músculo de alguém, mas as células resolvem virar osso. Se isto acontecer, não tenho mais como controlar o processo”.



Foi constatado que células-tronco injetadas em roedores produziram tumores de origem embrionárias chamados teratomas. Se elas forem injetadas no humano serão rejeitadas vez que, o genoma do receptor é diferente do doador. A esta altura, o leitor deverá recordar o princípio: “Os fins não justificam os meios”. No processo pretendido o fim é bom, pois a intenção é a de curar doentes, mas os meios para curá-los não são bons, pois para tanto irão levar morte ao embrião. Cristo curou muitos enfermos, mas para curá-los não matou ninguém...



Li nesse jornal. A mulher a ser assaltada e pressentindo a morte, ajoelhou-se ante ao criminoso e suplicou-lhe que não a matasse. É comovente a reação da mulher. No caso do embrião humano, ele não pode suplicar. Fisiologicamente ainda não se completou. Não poderá pedir socorro? Matá-lo é tão desumano quanto desumano foi o gesto criminoso que matou a suplicante.



A Dr. Alice Teixeira Ferreira no I congresso internacional em defesa da vida realizado entre 6 e 10 de fevereiro de 2008 em São Paulo, afirmou: “ O embrião humano não é um monte de células”. Células não são moléculas, eu acrescento. A célula é viva, a molécula não. Para se obter células-tronco seja de embrião humano, clonado ou não, é preciso se matar o embrião. O embrião tem vida repito, e não é lícito matá-lo. Dizer-se que o óvulo fecundado pelo espermatozóide só se torna gente depois de inserido no útero materno, é grotesco...


A sensatez e a lógica afirmam que a vida se inicia a quando da fecundação do óvulo pelo espermatozóide. O cristianismo, seja ele católico ou evangélico, aceita a sensatez e esta evidência lógica. Os defensores da oficialização de pesquisas estão sendo ilógicos. Peço ao leitor refletir sobre a crassa ilogicidade e incoerência: matar para que outros vivam.