quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Michelangelo











Michelangelo; Auto-retrato


Michelangelo nasceu no dia 6 de março de 1475 em Caprese, Casentino – Itália. Foi o segundo filho entre cinco irmãos. Em 1481 perdeu a mãe, acontecimento que marcou sua personalidade, tanto assim que nas esculturas de Madonas, ele projetava a fisionomia materna envolvida no mistério da morte.
Em 1492 Lourenço, o magnífico, o acolheu em seu palácio onde teve oportunidade de se relacionar como humanistas vários, chegando até a corte dos Médici. Neste seu início, somente dois de seus trabalhos são conservados. A Madona della Scala e A Batalha dos Centauros, temas cristãos e pagãos em dualismo significativo.
Em 1495, depois de estudos de anatomia feitos no mosteiros Del’Spirito, foi hóspede em Roma do Cardeal Riario. Em 1498 Jacopo Galle o procurou á mando do cardeal Lagraulas para dar inicio às obras da Pietá que se encontra na Basílica de São Pedro. Criterioso desde a juventude foi a Carrara escolher o material. Tinha ele 23 anos. O nome “pietá” na arte, se prende ao momento da retirada do Corpo do Senhor, morto na cruz e colocado nos braços da mãe aflita, como aceitação da vontade divina.
A estátua foi esculpida em formato de pirâmide e a Virgem foi projetada em volta de um largo manto, cheio de dobras, conforme tradição gótica, tendo no colo o corpo do Senhor, seu Divino Filho quase tornado uma criança.
Aqueles que reclamaram ser muito jovem a face da mãe, ele respondia; “ a castidade e a pureza não estão sujeitas às leis do tempo”. A mão esquerda da Virgem segura o corpo do Senhor para ressaltar a sua dor.
Michelangelo esculpiu várias outras estátuas “pietá”, mas esta foi a única que ele terminou. Quando estive  em Florença – Itália, visitei outra sua “pietá”, na Igreja de Santa Maria Del Fiore. A virgem parece fazer esforço para receber o corpo de Jesus que lhe está sendo entregue por José de Arimatéia. A fisionomia de José de Arimatéia, projeta o rosto do próprio Michelangelo.
Quanto à pietá de São Pedro, no dia da inauguração, o artista se misturou como o povo que não o conhecia e notou que todos se admiravam com a perfeição do trabalho. Naquela mesma noite, sobre a faixa que estava envolvendo o corpo da Virgem escreveu: “Michelangelo Buonarroti, Fiorentino faciebat”. Na academia de Florença, encontra-se a estátua de Davi quando jovem e em São Pedro in Vincolli – Roma junto á Universidade Gregoriana está a de Moisés. Ao terminar o trabalho desta estátua ele disse: Fala, Moisés”.
Michelangelo foi um gênio. Um superdotado. Os gênios são exceções da natureza. Eles continuam presentes nos trabalhos que deixaram... parecem imortais.

A Temida Realidade



Estas linhas eu as escrevo à propósito do meu primeiro ano de Hospital na Beneficente Portuguesa. O relato aconteceu na década de cinqüenta, gestão Sant’Ana.
Chamado fui para atender doente. O hospital situava-se no antigo Largo da Pólvora, hoje Praça da República. Era uma tarde calorenta, como são as tardes equatoriais de Belém, antes da chuva. Saí à pé, envergando minha batina preta  e de chapéu, conforme uso da época.
Quando a porta se abriu, deparei-me com uma senhora de cor, corpulenta. Ela estava envolvida em um lençol alvíssimo, muito limpo, mas daquele corpo, exalava insuportável odor. Senti-me mal, mas estava ali para sacramentar uma enferma em estado terminal. Ela estava lúcida. Observei o Ritual, sentindo o “ônus”  sacerdotal. O mal-estar continuou, sobretudo às refeições. Lembrava-me do escritor quinhentista, padre Manuel Bernardes ao escrever sobre carne. Relatou o desespero do animal ao pressentir o abate e a morte. A defesa é instintiva. Todo vivente tem instintos.
Agora atenção, meu leitor: o padre não se ordena para si, mas para atender e socorrer enfermos, carentes e necessitados. Disse Jesus: “Os de saúde não necessitam de médico”. O padre é médico de almas. O atendimento do médico não é fácil. Eu que por alguns instantes quase não suportei a exalação, nem me lembrei de que a paciente sentia a decomposição do próprio corpo. A realidade é trágica, temida e inexplicável. A natureza, que generosamente forneceu ao corpo o alimento, parece que, de repente se nega a ele e “dá um basta”. O corpo inconscientemente começa a definhar É o fastio. O Alimento não passa pela garganta. Sem alimento o corpo não sresiste e morre.
A morte é um enigma. Ninguém quer morrer. Todos a temem. A tragicidade aumenta porque ninguém fica esquecido.
Segue a reflexão final. O tempo é rápido, é fugaz. Mergulhados no tempo vive-se como se eterno ele o fosse. No silêncio inevitável desse instante, turbulências poderão acontecer. E elas são de ordem social, econômica, familiar e até espirituais. Narram que o nobre Mazzarino convulsamente se agarrava aos pertences e ás jóias  dizendo que tudo iria deixar. Dom frei Vital, ao escarrar disse;” Foi veneno mesmo”.  E o colega Dirceu agarrado aos pais gritava: “Não quero morrer!” e assim morreu.
Meu leitor, no silêncio inevitável que antecede a morte, o cristão deve entregar-se nas mãos de Deus e com espírito de fé, receberá a graça de bem morrer

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Padre Diocesano

Reporto-me ao dia do padre, recém celebrado e lembro-me das memórias do meu passado: “A História é a mestra da vida”.

Eis a reflexão sobre o padre diocesano. Ele não teve fundador. Nasceu com a Igreja. Os fundadores determinam específicas espiritualidades. Dom Gregório Varmeling que foi bispo de Nova Friburgo assim falou: “Nós não vivemos da espiritualidade monacal” e depois acrescentou: “o padre diocesano no momento da imposição das mãos e da Oração Consagratória, passa por uma transformação quase ontológica no sentido de projetar o Cristo no mundo e no tempo. Ele assume a missão de salvar a humanidade em todos os momentos, alegres e difíceis, daí repetir São Paulo aos Filipenses: “Mihi vivere Christus” (1,21)

Ao incardinar-se na Igreja Diocesana, tornou-se co-responsável na diocese que o acolheu. O ritual é claro: “uma porção do povo de Deus confiada ao Bispo e ao seu Presbitério”.

Para o Religioso, o celibato é ato supremo de renuncia pessoal. Para o padre diocesano é o sinal mais completo do dom total de si mesmo em favor do povo de Deus. A regra ou lei diocesana é a da caridade apostólica, isto é, o serviço paroquial. Nenhuma ascese a poderá substituir. O padre diocesano é lançado no mundo para fecundá-lo, e fermentá-lo. Reporto-me agora ao inesquecível Dom Mário, quando falava sobre a massa, a massa levedada, sobre o fermento no laicato e na Ação Católica...

Voltando ao início, é preciso frisar que o vínculo diocesano é muito sério. O termo jurídico chama-se incardinação. Nem o bispo tem esse vínculo, pois está a disposição da Santa Sé. Dom Santino Coutinho fora nomeado bispo de São Luís – Maranhão. Antes da posse, transferido fora para bispo do Pará e logo depois nomeado Arcebispo de Belém. Foi o segundo Arcebispo.

Para divagar, cito Bethoven na Missa Solene que parece ter duvidado da missão salvífica do sacerdote. Em seu estro musical repetiu muitas vezes a palavra latina “caro – carne” até terminar decididamente no “factum est” ou “fez-se carne” reportando-se o Cristo Sumo e Eterno Sacerdote.

O padre terá que fazer o que Cristo fez “exinanivit semetipsum” ou “esvaziar-se de si mesmo”.

É preciso restituir-se ao padre diocesano o sentido de sua plenitude ontológica. Acrescento o norte ao epílogo: profunda vida interior a manifestar-se no comportamento sacerdotal, na liturgia, nas pregações com base escriturística e na música. Eu nunca ensaiei um número sem antes o ter executado ao órgão dezenas de vezes para sentir a frase musical do compositor. Nunca me impressionaram as palmas dos ouvintes e sim quando os via lacrimejar. A música reforça o “verbum Dei”.

Agora, o final lembrete. A mística diocesana deverá ser o roteiro certo no caminhar diário.

O Equilíbrio

A personalidade integral é de imediato notada pelos reflexólogos, porque eles se preocupam em diagnosticar o equilíbrio no humano. O equilíbrio se processa pela presença de forças iguais e opostas a se defrontarem. A flor é bela, porque na simplicidade de sua veste está em equilíbrio. O amor (dar e receber) se planifica no equilíbrio. Saúde é equilíbrio.

O corpo humano sente o equilíbrio bilhões de vezes em cada órgão, em cada sistema, nas correntes sanguíneas e linfáticas, nos neurônios cerebrais, enfim, em todo o corpo. Quando ele não se processa satisfatoriamente todo o ser se desequilibra e soam alertas ou advertências: é a febre, é a dor, a indisposição gástrica, o desmaio que sintomatizam o que se chama doença. Tais sintomas se vão agravando e poderão levar a estresses ou a neuroses. O neurótico ao sentir-se desajustado procura desvencilhar-se do problema, não assim o teimoso, o psicótico. Este não se reconhece doente, pois se sente ajustado ao meio social e isto é perigoso. A advertência geral é a de que cada pessoa poderá sentir-se envolvida pelas emboscadas psicopatas...

Vale e muito pois, se refletir sobre o desequilíbrio orgânico ou sobre as doenças. Ela conduz a noção de desapropriação de si mesmo. O doente perde o domínio do próprio corpo que lhe parece escapar por influencias outras. A sociedade distanciada o isola e ele pede compaixão, carinho, amor, dedicação, com humildade.

A impressão que tenho é a de que a medicina materialista parece-me ultrapassada. Eu sinto isto aqui na Beneficente Portuguesa onde dou presença. Varias vezes, nas insubstituíveis visitas aos doentes, médicos me têm dado precedência, sobretudo nos casos terminais.

Não tenho tido problemas com acatólicos. Eles me acolhem, peço, no entanto aos acompanhantes que chamem seus pastores e ministros para atenderem o paciente. O enfermo necessita de paz, o Senhor Jesus veio trazer a paz.

Para mim enfermeiros (as), médicos (as), ministros de culto são verdadeiros anjos tutelares que se debruçam ante o leito do enfermo.

Impressiona aos doentes a visita que faço. Pedem que volte. O doente gosta de ouvir palavras objetivas e seguras. Para terminar, considero o desequilíbrio orgânico uma excepcional oportunidade à Pastoral Cristã. O olhar do enfermo impressiona e às vezes parece distante, então eu o abençoo, colocando as mãos sobre a cabeça e o contemplo na prece que faço em voz alta. Vejo olhos marejados... a lagrima comprida na face da criança ou a sentida no olhar do enfermo brilha. Lindo o brilho das lágrimas. Ele faz lembrar a luz de Deus.

Uma “pitada” adulta

Está evidente: cada lobo cerebral é sede de atividades a repercutir no lado oposto e o entrelaçamento comunicativo, gera o almejado equilíbrio no orgânico. Deus na sua infinita sabedoria utiliza o visível para dar lições fáceis à criatura que teima em se prender à extremismos... virtus in médio ou a virtude está no meio. Saber ouvir, que maravilha!...

Se a néscios a afirmação parece banal, a experiência constata que as prospecções esquerdizantes foram geradas na direita, enquanto aquelas partiram da esquerda. É a reversibilidade entre tese e antítese que provoca a harmonia no somático e no social. A constatação infelizmente não iluminou mentes obtusas daí comportamentos asnáticos, porque amuados. Falei, acabou-se. O que disse está dito. E não volto atrás. Almas gigantes têm rasgos planetários.

Rompam-se as barreiras desatentas ou compulsivas que a insensatez diminuirá. Todos, indistintamente deverão portar seu tijolinho para fazer crescer a humanidade. Ao final as criaturas refulgirão e também o todo social.

N.B: Graças à Sua Excelência Dom Alberto Taveira, diariamente às 09h 00min e aos domingos às 07h 00min celebro a Santa Missa na Capela do Hospital da Beneficente Portuguesa. Aos sábados, às 09h 30min atendo confissões.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Comentário inadiável

Ao termino da leitura de “Altar – Sumiço” publicada pelo Repórter 70 no passado domingo, 26.VI., lembrei-me: “ a mediocridade do hoje, faz profanar o ontem e atrapalhar o amanhã”. Foi o que aconteceu em Sant’Ana. Detenha-se o leitor e perceberá o desrespeito à História e á Igreja de Senhor Jesus.
O Padre Antônio Beltrão teve que retirar-se da Casa Paroquial. Ela não foi restaurada e sim demolida. No século passado funcionou como Escola Paroquial dirigida por Monsenhor Domingos Dias Maltez. O altar sagrado por Dom Rêgo Maia era o da Basílica de Nazaré, segundo o Padre Affonso Di Giorgio. Ele desapareceu. Demoliram a Gruta de Lourdes, “fac símile” da de Massabielle na França. Onde está o altar privilegiado pelo Papa São Pio X? O pavimento de mármore (Carrara), trazido por Dom Antônio de Macedo Costa, onde o colocaram? Fecharam portas dificultando a atividade paroquial. Tudo foi feito por terceirizados. Eles disseram que obedeciam ordens do IPHAN (sic !?...). Quanto as diatribes que propositalmente eu as vou omitir para não ferir susceptibilidades, geraram verdadeira década de chumbo. Oxalá, a corda não venha a se rebentar do lado mais fraco deixando airosos os santarrões... O caso de Sant’Ana é caso de polícia...
Meu leitor, a História é dinâmica e não paralisante. São as sucessivas gerações que a montam. A técnica presente, julgo eu, deve fazer realçar os séculos que se foram. Cito um só exemplo: a feérica iluminação da Catedral de Belém. Ela à noite é linda e impressiona. A iluminação proclama ser casa de oração. Domus mea, Domus orationis est. Quando ela foi construída, não havia iluminação elétrica na cidade. A atual iluminação não profana o passado, faz sim destacar as antigas gerações. Referindo-me à Catedral, apresento o reverso: destruíram seis apartamentos, a Biblioteca e também o iniciado Museu. O Atual quarto do pároco dificulta a circulação interna do templo. Parece que os pseudo restauradores nunca ouviram falar em programa de necessidades...
Agora um destaque: no dia 10 de março de 2010 o Reverendo Padre Antônio Beltrão fez reclamação séria à Procuradoria da Republica do Estado do Pará sobre a situação caótica do Templo. Não foi ouvido. Vale reler-se o Repórter 70: “A obra continua inacabada – Custou a bagatela de sete milhões – não caiu bem aos olhos do Instituto que condenou parte dos serviços.”
Meu caro leitor, só o IPHAN poderá dar solução fácil ao acontecido, pois o feito foi proclamado como obra do IPHAN. Os bispos não querem problemas. Alguns deles até proíbem os padres de falar. Os cristãos, principalmente aqueles que se julgam renomados, cultuam pessoas, poucos se lhes dá a Instituição. Resultado: Diocese com mil dificuldades e às vezes espoliada.
Escrevo assim porque entre os eclesiásticos desta Arquidiocese sou o mais antigo. Entrei no seminário no de 1937. Eu amo profundamente a Arquidiocese de Belém e a defendo. Sou testemunha viva. Ela culturalmente me alimentou e eu sorvi do seu leite.
Oxalá de Brasília venha gente competente, sensível, humilde e sensata. O futuro deverá julgar o IPHAN não como destruidor e sim como grande conservador do patrimônio cultural e histórico, não só dessa esquecida, mas de todo Brasil.
N.B: Graças a Sua Excelência Dom Alberto Taveira, diariamente às 09:00 horas e aos domingos ás 07:00 horas celebro a Santa Missa na Capela do Hospital da Beneficente Portuguesa. Aos sábado, às 9h30min atendo confissões

sábado, 10 de julho de 2010

Petrus eni.





Pedro está aqui dentro. Foi encontrado porque escolhido. Pedro esteve em Belém e foi no dia 8 de julho de 1980. Um acontecimento invulgar. Desde de a fundação da cidade, esta a primeira vez que um Papa a visitou. Convido o leitor a deter-se na exegese escriturística: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”.
Em aramaico o verbete kefa é traduzido por pedra e também Pedro. Então foi assim que o Cristo falou: “Tu és kefa, e sobre esta kefa que és tu edificarei a minha Igreja". O leitor sabe que todo idioma tem suas nuances e expressões características. Em Português, kefa é susbstantivo próprio e comum.
Agora vale defrontar-se com a arqueóloga Margherita Guarducci. Foi ela quem nas grutas do Vaticano, encontrou a frase Petrus eni. Fundamentada na epigrafia grega, em seu livro, confirmou a autenticidade da relíquia e também a tradição “in verso capite”. O desenho do padre jesuíta Ferrua contribuiu para o achado.
Conselheiros do Papa Pio XII, desaconselharam pesquisas, pois elas poderiam ir de encontro à tradição. Assim repostou o Papa: “os cristãos não deverão ter medo da verdade”. A descoberta foi anunciada e também a autenticidade da tradição. Sim, Cristo escolheu a Pedro. São Pedro foi o primeiro Papa. Os Papas são sucessores de Pedro e reconhecidos como Cristo visível na Igreja. É o timoneiro fiel a guiar sua nave em mares tempestuosos e nas bonanças.
Quanto a visita do Pontífice, assim resumirei: ela foi apoteótica. O paraense sabe receber visitantes. O visitante era ilustre em todos os sentidos. Ao pisar o solo paraense, entre aclamações, dirigiu-se logo ao Leprosário. Manteve contato direto com os enfermos. Depois almoçou e repousou no Seminário Arquidiocesano, repleto de freiras. Os seminaristas foram liberados. Celebrou Missa à rua 1º de Dezembro, sem vegetação, sob sol inclemente equatorial. O Papa se preocupou com o numero avultado de desmaios. Ao declinar do dia, rumou no papa móvel à Catedral. Não parou na Basílica para oscular a imagem original da Virgem de Nazaré. Só na manhã seguinte ele a osculou.
Na Catedral, Monsenhor Faustino Brito a adornou de maneira condigna. Ela ficou repleta de fiéis. E, sobretudo de autoridades. Foi destaque o coral de Sant’Ana com 106 componentes. Outros corais religiosos se uniram a nós. Apresentamos números polifônicos à quatro vozes desiguais. Quando ele entrou no templo, de Oreste Ravanello, foi entoado “tu és Petrus”, alternando o poema de Ápio Campos. Uma só estrofe apresento:

Tu és o Cristo que passa / Tu és o Cristo que vem
Tu és o Cristo que fica / Cristo nasceu em Belém.

Logo de maneira vibrante houve a saudação em tupi guarani: katé, katé, katé – uatauê apé uçu. Ué andira mira katé xa-xa-xa turibú muri xingá.
Foi entoado em polonês o Pod Twa Obrone e em seguida o Haec Dies. À Ave Maria de O. Ravanello o Papa se ajoelhou. De Aloys Kunc p/ 4v.d foi executado o Oremus pro pontifice. As estrofes do Christus Vincit foram em português, latim e em polonês.
Saindo da Catedral, o coral não obteve permissão para entrar no Arcebispado. O Papa saudou o povo de umas das janelas do Arcebispado, quando relâmpagos e trovões riscaram o céu de Belém, completamente escuro.
O Papa tranqüilo e jovial provocou uma risada contagiante e palmas. Depois de agradecer as presenças, disse bem forte: “vou me recolher porque vai ‘chová’”. Aclamações risos fortes e palmas incontidas. Minutos depois caiu uma chuva forte, verdadeiro vendaval... Neste final, vale se destacar o livro publicado pelo então Arcebispo D. Alberto Ramos “Quatro dias com o Papa”. Anos depois, quando em Roma, visitei o Pontíficie, ele abraçando-me disse: “Estive em sua Catedral”. Eu então respondi: “no momento eu era o regens Chori”.