segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Um leilão gaúcho
Os sinos da Sé II
Os sinos da Sé
O site da Catedral
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Michelangelo
A Temida Realidade
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
O Padre Diocesano
Reporto-me ao dia do padre, recém celebrado e lembro-me das memórias do meu passado: “A História é a mestra da vida”.
Eis a reflexão sobre o padre diocesano. Ele não teve fundador. Nasceu com a Igreja. Os fundadores determinam específicas espiritualidades. Dom Gregório Varmeling que foi bispo de Nova Friburgo assim falou: “Nós não vivemos da espiritualidade monacal” e depois acrescentou: “o padre diocesano no momento da imposição das mãos e da Oração Consagratória, passa por uma transformação quase ontológica no sentido de projetar o Cristo no mundo e no tempo. Ele assume a missão de salvar a humanidade em todos os momentos, alegres e difíceis, daí repetir São Paulo aos Filipenses: “Mihi vivere Christus” (1,21)
Ao incardinar-se na Igreja Diocesana, tornou-se co-responsável na diocese que o acolheu. O ritual é claro: “uma porção do povo de Deus confiada ao Bispo e ao seu Presbitério”.
Para o Religioso, o celibato é ato supremo de renuncia pessoal. Para o padre diocesano é o sinal mais completo do dom total de si mesmo em favor do povo de Deus. A regra ou lei diocesana é a da caridade apostólica, isto é, o serviço paroquial. Nenhuma ascese a poderá substituir. O padre diocesano é lançado no mundo para fecundá-lo, e fermentá-lo. Reporto-me agora ao inesquecível Dom Mário, quando falava sobre a massa, a massa levedada, sobre o fermento no laicato e na Ação Católica...
Voltando ao início, é preciso frisar que o vínculo diocesano é muito sério. O termo jurídico chama-se incardinação. Nem o bispo tem esse vínculo, pois está a disposição da Santa Sé. Dom Santino Coutinho fora nomeado bispo de São Luís – Maranhão. Antes da posse, transferido fora para bispo do Pará e logo depois nomeado Arcebispo de Belém. Foi o segundo Arcebispo.
Para divagar, cito Bethoven na Missa Solene que parece ter duvidado da missão salvífica do sacerdote. Em seu estro musical repetiu muitas vezes a palavra latina “caro – carne” até terminar decididamente no “factum est” ou “fez-se carne” reportando-se o Cristo Sumo e Eterno Sacerdote.
O padre terá que fazer o que Cristo fez “exinanivit semetipsum” ou “esvaziar-se de si mesmo”.
É preciso restituir-se ao padre diocesano o sentido de sua plenitude ontológica. Acrescento o norte ao epílogo: profunda vida interior a manifestar-se no comportamento sacerdotal, na liturgia, nas pregações com base escriturística e na música. Eu nunca ensaiei um número sem antes o ter executado ao órgão dezenas de vezes para sentir a frase musical do compositor. Nunca me impressionaram as palmas dos ouvintes e sim quando os via lacrimejar. A música reforça o “verbum Dei”.
Agora, o final lembrete. A mística diocesana deverá ser o roteiro certo no caminhar diário.
O Equilíbrio
A personalidade integral é de imediato notada pelos reflexólogos, porque eles se preocupam em diagnosticar o equilíbrio no humano. O equilíbrio se processa pela presença de forças iguais e opostas a se defrontarem. A flor é bela, porque na simplicidade de sua veste está em equilíbrio. O amor (dar e receber) se planifica no equilíbrio. Saúde é equilíbrio.
O corpo humano sente o equilíbrio bilhões de vezes em cada órgão, em cada sistema, nas correntes sanguíneas e linfáticas, nos neurônios cerebrais, enfim, em todo o corpo. Quando ele não se processa satisfatoriamente todo o ser se desequilibra e soam alertas ou advertências: é a febre, é a dor, a indisposição gástrica, o desmaio que sintomatizam o que se chama doença. Tais sintomas se vão agravando e poderão levar a estresses ou a neuroses. O neurótico ao sentir-se desajustado procura desvencilhar-se do problema, não assim o teimoso, o psicótico. Este não se reconhece doente, pois se sente ajustado ao meio social e isto é perigoso. A advertência geral é a de que cada pessoa poderá sentir-se envolvida pelas emboscadas psicopatas...
Vale e muito pois, se refletir sobre o desequilíbrio orgânico ou sobre as doenças. Ela conduz a noção de desapropriação de si mesmo. O doente perde o domínio do próprio corpo que lhe parece escapar por influencias outras. A sociedade distanciada o isola e ele pede compaixão, carinho, amor, dedicação, com humildade.
A impressão que tenho é a de que a medicina materialista parece-me ultrapassada. Eu sinto isto aqui na Beneficente Portuguesa onde dou presença. Varias vezes, nas insubstituíveis visitas aos doentes, médicos me têm dado precedência, sobretudo nos casos terminais.
Não tenho tido problemas com acatólicos. Eles me acolhem, peço, no entanto aos acompanhantes que chamem seus pastores e ministros para atenderem o paciente. O enfermo necessita de paz, o Senhor Jesus veio trazer a paz.
Para mim enfermeiros (as), médicos (as), ministros de culto são verdadeiros anjos tutelares que se debruçam ante o leito do enfermo.
Impressiona aos doentes a visita que faço. Pedem que volte. O doente gosta de ouvir palavras objetivas e seguras. Para terminar, considero o desequilíbrio orgânico uma excepcional oportunidade à Pastoral Cristã. O olhar do enfermo impressiona e às vezes parece distante, então eu o abençoo, colocando as mãos sobre a cabeça e o contemplo na prece que faço em voz alta. Vejo olhos marejados... a lagrima comprida na face da criança ou a sentida no olhar do enfermo brilha. Lindo o brilho das lágrimas. Ele faz lembrar a luz de Deus.
Uma “pitada” adulta
Está evidente: cada lobo cerebral é sede de atividades a repercutir no lado oposto e o entrelaçamento comunicativo, gera o almejado equilíbrio no orgânico. Deus na sua infinita sabedoria utiliza o visível para dar lições fáceis à criatura que teima em se prender à extremismos... virtus in médio ou a virtude está no meio. Saber ouvir, que maravilha!...
Se a néscios a afirmação parece banal, a experiência constata que as prospecções esquerdizantes foram geradas na direita, enquanto aquelas partiram da esquerda. É a reversibilidade entre tese e antítese que provoca a harmonia no somático e no social. A constatação infelizmente não iluminou mentes obtusas daí comportamentos asnáticos, porque amuados. Falei, acabou-se. O que disse está dito. E não volto atrás. Almas gigantes têm rasgos planetários.
Rompam-se as barreiras desatentas ou compulsivas que a insensatez diminuirá. Todos, indistintamente deverão portar seu tijolinho para fazer crescer a humanidade. Ao final as criaturas refulgirão e também o todo social.
N.B: Graças à Sua Excelência Dom Alberto Taveira, diariamente às 09h 00min e aos domingos às 07h 00min celebro a Santa Missa na Capela do Hospital da Beneficente Portuguesa. Aos sábados, às 09h 30min atendo confissões.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Comentário inadiável
sábado, 10 de julho de 2010
Petrus eni.

Em aramaico o verbete kefa é traduzido por pedra e também Pedro. Então foi assim que o Cristo falou: “Tu és kefa, e sobre esta kefa que és tu edificarei a minha Igreja". O leitor sabe que todo idioma tem suas nuances e expressões características. Em Português, kefa é susbstantivo próprio e comum.
Agora vale defrontar-se com a arqueóloga Margherita Guarducci. Foi ela quem nas grutas do Vaticano, encontrou a frase Petrus eni. Fundamentada na epigrafia grega, em seu livro, confirmou a autenticidade da relíquia e também a tradição “in verso capite”. O desenho do padre jesuíta Ferrua contribuiu para o achado.
Conselheiros do Papa Pio XII, desaconselharam pesquisas, pois elas poderiam ir de encontro à tradição. Assim repostou o Papa: “os cristãos não deverão ter medo da verdade”. A descoberta foi anunciada e também a autenticidade da tradição. Sim, Cristo escolheu a Pedro. São Pedro foi o primeiro Papa. Os Papas são sucessores de Pedro e reconhecidos como Cristo visível na Igreja. É o timoneiro fiel a guiar sua nave em mares tempestuosos e nas bonanças.
Quanto a visita do Pontífice, assim resumirei: ela foi apoteótica. O paraense sabe receber visitantes. O visitante era ilustre em todos os sentidos. Ao pisar o solo paraense, entre aclamações, dirigiu-se logo ao Leprosário. Manteve contato direto com os enfermos. Depois almoçou e repousou no Seminário Arquidiocesano, repleto de freiras. Os seminaristas foram liberados. Celebrou Missa à rua 1º de Dezembro, sem vegetação, sob sol inclemente equatorial. O Papa se preocupou com o numero avultado de desmaios. Ao declinar do dia, rumou no papa móvel à Catedral. Não parou na Basílica para oscular a imagem original da Virgem de Nazaré. Só na manhã seguinte ele a osculou.
Na Catedral, Monsenhor Faustino Brito a adornou de maneira condigna. Ela ficou repleta de fiéis. E, sobretudo de autoridades. Foi destaque o coral de Sant’Ana com 106 componentes. Outros corais religiosos se uniram a nós. Apresentamos números polifônicos à quatro vozes desiguais. Quando ele entrou no templo, de Oreste Ravanello, foi entoado “tu és Petrus”, alternando o poema de Ápio Campos. Uma só estrofe apresento:
Tu és o Cristo que passa / Tu és o Cristo que vem
Tu és o Cristo que fica / Cristo nasceu em Belém.
Logo de maneira vibrante houve a saudação em tupi guarani: katé, katé, katé – uatauê apé uçu. Ué andira mira katé xa-xa-xa turibú muri xingá.
Foi entoado em polonês o Pod Twa Obrone e em seguida o Haec Dies. À Ave Maria de O. Ravanello o Papa se ajoelhou. De Aloys Kunc p/ 4v.d foi executado o Oremus pro pontifice. As estrofes do Christus Vincit foram em português, latim e em polonês.
Saindo da Catedral, o coral não obteve permissão para entrar no Arcebispado. O Papa saudou o povo de umas das janelas do Arcebispado, quando relâmpagos e trovões riscaram o céu de Belém, completamente escuro.
O Papa tranqüilo e jovial provocou uma risada contagiante e palmas. Depois de agradecer as presenças, disse bem forte: “vou me recolher porque vai ‘chová’”. Aclamações risos fortes e palmas incontidas. Minutos depois caiu uma chuva forte, verdadeiro vendaval... Neste final, vale se destacar o livro publicado pelo então Arcebispo D. Alberto Ramos “Quatro dias com o Papa”. Anos depois, quando em Roma, visitei o Pontíficie, ele abraçando-me disse: “Estive em sua Catedral”. Eu então respondi: “no momento eu era o regens Chori”.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Um comentário 2
Lembro que a psicopatia existiu no passado e no presente. Apresentam Alcibíades, general, orador e estadista grego (450 a.C) como psicopata. O psicopata pode ser criança, jovem, adulto, simpático, atencioso, atraente, qualidades estas para pressionar a presa. Ele se realiza quando faz o outro sofrer, perturba, porque qualquer um poderá ser a próxima vítima. Nem sempre mata. O psicopata tem desconexão nos circuitos cerebrais responsáveis pela emoção. Na ânsia de possuir, não percebe o ilícito.
No sistema carcerário brasileiro não existe um procedimento de diagnóstico para a psicopatia, daí a facilidade de obterem benefícios como o da redução de pena, do regime de prisão semi-aberto, o dos feriados sociais e outros. Se o diagnóstico existisse, o psicopata ficaria mais tempo preso e as reincidências diminuiriam. Assim acontece nos países onde vigora a Escala Hare (PCL). Não é fácil a distinção entre jovens aptos a reeducação e os que são refratários. Estes quando soltos, repetirão o que fizeram. A Dr. A.B os chama de animais, vampiros, parasitas, porque continuamente sugam as presas. Se menores, dizem ter transtornos de conduta – se maiores transtornos de personalidade. Ambos têm impulsividade primitiva. Sabem o que fazem e ainda se divertem. Vale a lembrança daqueles jovens que queimaram o índio que dormia na praça. A predisposição genética e a vulnerabilidade biológica se agravam quando o meio-ambiente não é favorável. Jurunas é tido como bairro violento.
Meu leitor, nunca se deve negociar com o mal. As terapias biológicas até o momento não funcionam na psicoterapia. O psicopata ficando satisfeito nas transgressões, não sente constrangimento, não fica depressivo, nem intranqüilo, não sofre com o mal que praticou. Como então tratar o sofrimento, se ele não existe?
As vítimas e familiares sim, sofrem o terrível e poderão chegar ao quase desespero. Nesse momento eu rezo e sentimento os familiares do policial morto.
Para terminar, passo a palavra aos técnicos, aos juristas, os legisladores, aos moralistas, aos governos e aos que defendem os bilaterais direitos humano. Ajudem-me neste alerta para que novas leis sejam promulgadas e se tenha paz.
sábado, 5 de junho de 2010
Mons. Nelson Soares
É só manusearem-se escritos não distantes para se perceber pseudo-afirmações contra a Bíblia, contra a Igreja e contra os tementes a Deus. Relembro Marx: “Minhas afirmações não foram apriorísticas e sim experimentais. A História não mente”, depois ele alcandorou o Determinismo Histórico. Cito ainda Feuerbach e seus trocadilhos. Dizem: “Deus criou o homem a sua imagem e semelhança. Eu contesto: o homem criou deus a sua imagem e semelhança”...
Mutatis mutandis, hoje, as afirmações são científicas, mas o propósito é o mesmo. Negar-se a Deus como causa de todas as causas e origem de todas as origens. Deus é o Criador. Do nada, do não ser, deu impulso a todas as possíveis existências.
Transcrevo agora as recentes notícias: “os cientistas fazem milagres” – “Deus é contido em um tubo de ensaio” – “foi criado o primeiro ser vivo artificial” – “o homem criou a vida”. Lembro o que o The Economist publicou: “Deus sumiu do quadro e é das mãos do homem nu, com lap top no colo que sai o raio criador da vida”. Dizeres para impressionar se não fossem vazios, ocos, irreais e sofisticados. É terrível dizia Dom Mário: “É terrível o esvaziar-se da palavra”. Na verdade a palavra é som resultante das vibrações das cordas vocais ou golfadas de ar. No entanto, elas transmitem conceitos, recados, mensagens. Recados profundos no dizer dos antigos: “Cristo o recado do Pai para a salvação”. Mas elas também poderão gerar o oposto: ofensas, insegurança, dúvidas, falsidades.
Meu Leitor, nem ontem, nem hoje, nem amanhã e nunca, os laboratórios mais precisos ou os superdotados, poderão insuflar a inércia da matéria dando-lhe vida. O humano tem seu limiar.
As articulistas Laura e Gabriela deram um tento: “Não houve criação artificial da vida, nem a criação da vida artificial”. O cientista Venter e equipe recriaram um genoma existente na natureza. Facilitaram a compreensão do povo com a metáfora: “É como alguém que desmontou um relógio e depois o remontou, instalando o conjunto de peças em um estojo diferente e o mecanismo voltou a funcionar”.
Deus é um mistério. A vida é um mistério. Se houvesse explicação para o mistério ele deixaria de o ser. A foto dos dois cientistas extasiados com a proveta na mão, não provou diferente ciclo vital. O real e total diferente acontecerá no último dia...
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Schola Cantorum, canto de Deus
A Schola Cantorum da Catedral permaneceu emudecida por muito tempo e agora, completa suas bodas de prata. Os 25 anos passaram célere. Resolvi escrever sobre o acontecimento evocando a história e lembrando Dom Alberto Ramos em sua Cronologia da Amazônia a escrever: "Foi ela o primeiro estabelecimento de ensino musical no Pará". Eu acrescento, em toda a Amazônia. Segundo S. Excia, a fundação aconteceu no dia 06 de maio de 1735, quando aqui era Bispo Dom Frei Bartolomeu do Pilar. Ao chegar à novel diocese, organizou o Cabido com as dignidades, conforme códigos vigentes. Nomeou Chantre o Cônego Lourenço Álvares Roxo.
Desde os primórdios as Igrejas organizavam escolas, visando o culto litúrgico. O Papa São Gregório Magno (540? - 604) as reformulou e deu-lhes o nome de Schola Cantorum. Catedrais, Basílicas, Seminários, Mosteiros somente, poderiam usar o título. As Scholas eram formadas por meninos e jovens selecionados pela piedade, pela voz e pendores musicais. Recebiam preparação às ordens menores. Seus mestres se chamavam Prior Scholae, primiseríus, secundiserius, tetius et quartius ou archiparaphonistis.
Vicente Sales em seu livro "A música e o tempo" fez referência a uma solene apresentação de 20 meninos na Catedral, ocorrida no dia 22 de dezembro de 1756. Julgou ter sido ela para oficializar a fundação da Schola. Não deu certeza. Eu prefiro fundamentar-me nos escritos de Dom Alberto Ramos. Após a morte do chantre (09 de abril de 1756) Dom Frei Miguel de Bulhões nomeou chantre Antonio Francisco, Cônego presbítero e irmão de Lourenço Alvares Roxo.
Em 1764 Dom Frei Caetano Brandão nomeou o Cônego diácono Joaquim da Silva, chantre da Catedral. Dois anos depois ele fundou a Schola Cantorum do Seminário. Este bispo, fundador da Santa Casa de Misericórdia do Pará, criou no Seminário a cadeira de canto gregoriano. Ainda foram nomeados os chantres: José da Silva Cunha, Joaquim Pedro de Moraes Bittencourt.
A expulsão pombalina de religiosos e mais tarde a Cabanagem, motivaram o declínio artístico na Catedral, no entanto, vale lembrar as presenças de João Almeida Loureiro, Matias José da Silva e Antonio Conde. Em 1839 foi nomeado chantre o organista português José Nepomuceno de Mendonça, sucedido por Raimundo Severino Matos.
Em 1863 Dom Antonio de Macedo Costa nomeou chantre o Dr. José Kaulfuse, polonês, com o fito de renovar o culto litúrgico na Catedral e no Seminário. Seu primeiro ato foi o de convencer o bispo para adquirir o potente órgão de tubos, tração mecânica. A inauguração aconteceu no dia 9 de setembro de 1882 pelo organista e organeiro Werkamp. É o atual Cavaillé-Coll de 18 toneladas, parado há quase 50 anos e que foi restaurado na França pela firma de Theo Haerpfer, em nossa gestão, mediante vibrante campanha. A quando da inauguração publiquei em "Nova et Vetera" ou "O velho que se tornou novo", a transcrição da ata da inauguração, redigida em 03 vias. Theo Haerpfer conseguiu a cópia de uma delas porque a arquivada na Catedral e a do Arcebispado se extraviaram.
Nesta época, se acentuou o declínio da música sacra em todo o mundo. No dia 22 de novembro de 1903, o Papa São Pio X publicou seu "Motu próprio" sobre música sacra, evidenciando o canto gregoriano. É lido no documento: "A música se torna sacra se ela se aproximar do gregoriano". Muitos ainda hoje não distinguem música sacra de música sagrada...
Nenhum outro bispo depois de D. Antonio de Macedo Costa deu tanta ênfase à música na Igreja. Em 1941 a Schola Cantorum do Seminário, sob a regência do Pe. Cristóvão, salesiano, atingiu o máximo. Executávamos na Catedral que não mais possuía sua Schola. Dom Jaime Câmara deu ênfase ao grupo dos seminaristas maiores, levados ao Arcebispado e nós, os menores, temíamos que ele freasse a Schola. Foi logo transferido ao Rio de Janeiro. Pe. Adriano Tourinho foi quem reorganizou a Schola do Seminário, seguido do Pe. Emílio Serafim, ambos salesianos. A esta altura, vale destacar a notável Schola Cantorum da Basílica de Nazaré, reorganizada pelo Pe. José Lanzi e depois pelo Pe. Paulino Bressan. Pe. Paulino a todos impressionava pela sua vasta cultura, com destaque a musical. Publicou em 1950 "Manual de canto gregoriano" com apresentação do Pe. Guilherme Schubert que lhe fez rasgados e merecidos elogios.
Com a transferência do Pe. Cristovão e do Pe. Delugan, ambos salesianos, Monsenhor Geraldo Menezes assumiu a regência gregoriana e eu a polifônica. Os inúmeros encargos do Monsenhor foram responsáveis pela minha nomeação plena a "Regens chori". Depois de quatro anos adoeci gravemente e tive que interromper os estudos, um ano antes de me ordenar sacerdote. Dois anos depois, voltei ao Seminário, ordenei-me padre por D. Mário de Miranda Vilas Boas e então reassumi os encargos musicais até a transferência para Sant'Ana. Assim terminou a Schola Cantorum do Seminário até o dia de hoje. Um tristeza...
Houve então uma terrível crise no seminário. Muitos seminaristas saíram e vários dos maiores correram a Sant'Ana. O coral fundado por mim se fortaleceu e também o Grêmio Pio XII. O nosso coral funcionou oficialmente na Catedral, a quando da visita do Papa João Paulo II a Belém. Participamos do VI Femaco em São Luis do Maranhão e foram inúmeras nossas apresentações. Transferido que fui para a Catedral, o coral de Sant'Ana espontaneamente me acompanhou. Não tive dificuldade de reorganizar a Schola Cantorum da Catedral.
A fundação da Schola Cantorum da Catedral aconteceu então há 25 anos, pois há 25 anos iniciei meu ministério sacerdotal na Catedral. Meus queridos componentes da Schola: vocês continuam lembrados por mim. Eu escrevi estas notas focalizando a história para que vocês sintam a própria origem e reflitam sobre o mistério da presença da Schola Cantorum na Igreja de Belém. O canto sacro marca nítido o texto escriturístico. Não nego, ao sair da Catedral temi um pouco pela Schola. Foi a dedo que escolhi o Eduardo para continuar o trabalho. Eduardo, tu e todos os componentes da Schola têm uma grande responsabilidade na pastoral musical da Arquidiocese. Mergulhem na tradição e sintam a presença daqueles que os antecederam. Eu tive o cuidado de fazer esta pesquisa, pensando em todos vocês. Não deixem nossa querida Schola fenecer. Zelem também pelo Grande Órgão, o rei dos instrumentos que no culto prostra-se em adoração ao Rei dos reis, dando apoio à Schola Cantorum. Parabéns!
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Meu Deus, meu Deus
No passado, tomaram na marra D. Jerônimo Tomé da Silva na sua Carta Pastoral, datada de 23/04/1892, à página 14, cita o antecessor D. Frei Caetano Brandão, lido no tom. 1, pág. 120, sobre o Hospital da Santa Casa: "Queremos que esta casa fique sujeita à nossa jurisdição e dos nossos sucessores; o que nos pertence por direito, visto ter sido fundada por nossa autoridade e teve a sua primeira origem do nosso zelo e das nossas diligências. Outro sim, ordenamos que a manutenção dos oficiais da referida casa seja por nós e nossos sucessores etc..."
Apesar de tudo, no dia 20/11/1890 o então governador do Estado Dr. Justo
Leite Chermont secularizou a irmandade, ficando o Estado com todos os bens.
Agora leiamos D. Jerônimo Tomé da Silva: "Protestamos contra a secularização da irmandade da Santa Casa de Misericórdia do Pará e declaramos solenemente perante os homens retos, perante os tribunais onde a justiça serve de norma, que o patrimônio da Santa Casa, constitui uma propriedade eclesiástica, resultante de doações de fiéis, legados e esmolas e, portanto, é nulo de pleno direito perante Deus e a consciência qualquer alienação do patrimônio, qualquer transação sobre o mesmo, sem aquiescência do prelado diocesano". A representação foi feita pelo Revmo. Mons. José Gregório Coelho, Vigário Capitular. Por falta de espaço, não irei citar aqui outras apropriações indébitas mascaradas todas de um tal comodato. Quando a Arquidiocese poderá arcar com a infra-estrutura do atual acervo?
No presente, cento e quatorze anos depois também no dia 20, um bispo simploriamente entrega a Catedral para aberrações. Mente não acuada, começaria o trabalho pelo telhado. Tudo o mais viria depois; teimosia tola quis demolir logo a casa do padre. Eu aviso ao leitor: montanha de ferro irá sair do local e levada para onde? As vigas foram trabalhadas pela Micon, graças a generosidade do senhor Luizinho Macedo. Será que elas irão ser vendidas a quilo, como vendida foi o ferro da antiga Caixa D’água, junto da Fábrica Palmeira? Quem vendeu como sucata à Copala foi o senhor Jorge Chaves. Ou será que estas vigas terão outro destino espúrio?...
Não bastou a tomada da Igreja de Santo Alexandre, o Arcebispado de Belém, do Seminário N. Sra. da Conceição, das casas da Ladeira do Castelo e as da rua Pe. Champagnat? Agora a Catedral. Ficará ela em comodato para núcleo da Feliz Lusitânia?
Reflita o leitor: nenhuma notícia foi publicada para ressaltar o culto divino, para atualizar a liturgia, para propiciar ambiente humano ao padre, para cultivar nosso Deus. Todo o anunciado foi para propiciar turismo. O turismo religioso quer adorar a Deus no seu templo e contemplar o sagrado.
Vale considerarem-se as esmolas do povo. Dom Frei Caetano Brandão saía de casa em casa a esmolar: Era recebido com reverência. Assim dizia: "se eu fosse um magnata, um príncipe, um rei, não seria tão bem recebido como fui pelo povo cristão". O gesto deste bispo foi jogado no lixo, como no lixo jogadas foram as ofertas, as esmolas, a generosidade do povo crente.
Lembro-me do Sr. Milton Trindade, superintendente dos Diários Associados e Senador da República, saía comigo para esmolar, lembro-me do Sr. Plácido Ramos, do Sr. Alfredo Gomes, do Sr. Nicolas Constantinidis, do Sr. Alberto Pinheiro, do Sr. Rômulo Maiorana, do Sr. Joaquim Alves e seu irmão, do Sr. Antonio Marques e irmão Benjamin, do Jaú o camiseiro, do Dr. Maurício Coelho de Souza e de seu irmão Dr. Daniel, que foi reitor da Universidade, todos eles contribuíram para o culto. Lembro-me comovido do Sr. Lacyr e esposa, d. Praxedes, de d. Rosa Lopes, de d. Alfreda, de d. Maria de Lourdes, de d. Aide, de d. Carmem, d. Beatriz, almas gigantes que se privaram para atender a Igreja. Toda generosidade e esmolas foram desprezadas. Nunca comprei seixo, areia, barro, porque o Sr. Carlito jamais cobrou um centavo.
Qualifiquei o Dr. Hélio Gueiros e o senhor Marcos Marcelino como arautos do Rei na campanha do órgão. Lembro-me do Dr. Lutfala Bitar, só de uma vez doou 100 sacos de cimento. Quantas vezes lacrimejei ao receber ofertas, algumas pequenas, mas todas generosas. Pois bem, meu leitor, o que foi feito com zelo, caridade e espírito de fé, a insensatez lança fora sem critério, ou melhor, para lucrar divisas e promover vaidades.
Onde estão os juristas católicos desta terra que deveriam dar apoio ao Arcebispo, que acabara de chegar a estas plagas, encontrando tamanho abacaxi sem poder descascá-lo?
Onde estão os engenheiros e arquitetos católicos para gritarem contra tão irreverência? Onde está o povo da Cidade Velha, os paroquianos da Sé, os católicos de
Belém, os sacerdotes diocesanos de Belém? Eu duvido que isto aconteça com os religiosos. Eles defendem seu patrimônio. Parece que os outros da terceira categoria.
Agora dizem: O povo não auxilia como antigamente. Auxiliar igreja para depois aparecer irresponsável e profanar os sacrifícios e as generosidades. Ante o tamanho descalabro afirmo que tudo tem um valor econômico. Os valores não deverão ser jogados fora. Auxiliar templos católicos significa jogar dinheiro no lixo. Onde vamos parar?
Neste momento eu levanto o meu gritante protesto. O telhado da Sé está desgastado sim. Remendem o telhado, mas atendam a funcionalidade do Templo. Quero reafirmar que estes 20 anos passados foram escuros, negros para os templos da Igreja de Belém. O futuro haverá de fazer justiça. Saiba o leitor: Os católicos do séc. XVIII construíram o templo, os católicos do séc. XIX embelezaram o templo. Os católicos do séc. XX terminaram o templo. E os do séc. XXI?
13 de maio de 2006




Mons. Nelson Soares aos cinco anos de idade (1928)