segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Padre Diocesano

Reporto-me ao dia do padre, recém celebrado e lembro-me das memórias do meu passado: “A História é a mestra da vida”.

Eis a reflexão sobre o padre diocesano. Ele não teve fundador. Nasceu com a Igreja. Os fundadores determinam específicas espiritualidades. Dom Gregório Varmeling que foi bispo de Nova Friburgo assim falou: “Nós não vivemos da espiritualidade monacal” e depois acrescentou: “o padre diocesano no momento da imposição das mãos e da Oração Consagratória, passa por uma transformação quase ontológica no sentido de projetar o Cristo no mundo e no tempo. Ele assume a missão de salvar a humanidade em todos os momentos, alegres e difíceis, daí repetir São Paulo aos Filipenses: “Mihi vivere Christus” (1,21)

Ao incardinar-se na Igreja Diocesana, tornou-se co-responsável na diocese que o acolheu. O ritual é claro: “uma porção do povo de Deus confiada ao Bispo e ao seu Presbitério”.

Para o Religioso, o celibato é ato supremo de renuncia pessoal. Para o padre diocesano é o sinal mais completo do dom total de si mesmo em favor do povo de Deus. A regra ou lei diocesana é a da caridade apostólica, isto é, o serviço paroquial. Nenhuma ascese a poderá substituir. O padre diocesano é lançado no mundo para fecundá-lo, e fermentá-lo. Reporto-me agora ao inesquecível Dom Mário, quando falava sobre a massa, a massa levedada, sobre o fermento no laicato e na Ação Católica...

Voltando ao início, é preciso frisar que o vínculo diocesano é muito sério. O termo jurídico chama-se incardinação. Nem o bispo tem esse vínculo, pois está a disposição da Santa Sé. Dom Santino Coutinho fora nomeado bispo de São Luís – Maranhão. Antes da posse, transferido fora para bispo do Pará e logo depois nomeado Arcebispo de Belém. Foi o segundo Arcebispo.

Para divagar, cito Bethoven na Missa Solene que parece ter duvidado da missão salvífica do sacerdote. Em seu estro musical repetiu muitas vezes a palavra latina “caro – carne” até terminar decididamente no “factum est” ou “fez-se carne” reportando-se o Cristo Sumo e Eterno Sacerdote.

O padre terá que fazer o que Cristo fez “exinanivit semetipsum” ou “esvaziar-se de si mesmo”.

É preciso restituir-se ao padre diocesano o sentido de sua plenitude ontológica. Acrescento o norte ao epílogo: profunda vida interior a manifestar-se no comportamento sacerdotal, na liturgia, nas pregações com base escriturística e na música. Eu nunca ensaiei um número sem antes o ter executado ao órgão dezenas de vezes para sentir a frase musical do compositor. Nunca me impressionaram as palmas dos ouvintes e sim quando os via lacrimejar. A música reforça o “verbum Dei”.

Agora, o final lembrete. A mística diocesana deverá ser o roteiro certo no caminhar diário.

O Equilíbrio

A personalidade integral é de imediato notada pelos reflexólogos, porque eles se preocupam em diagnosticar o equilíbrio no humano. O equilíbrio se processa pela presença de forças iguais e opostas a se defrontarem. A flor é bela, porque na simplicidade de sua veste está em equilíbrio. O amor (dar e receber) se planifica no equilíbrio. Saúde é equilíbrio.

O corpo humano sente o equilíbrio bilhões de vezes em cada órgão, em cada sistema, nas correntes sanguíneas e linfáticas, nos neurônios cerebrais, enfim, em todo o corpo. Quando ele não se processa satisfatoriamente todo o ser se desequilibra e soam alertas ou advertências: é a febre, é a dor, a indisposição gástrica, o desmaio que sintomatizam o que se chama doença. Tais sintomas se vão agravando e poderão levar a estresses ou a neuroses. O neurótico ao sentir-se desajustado procura desvencilhar-se do problema, não assim o teimoso, o psicótico. Este não se reconhece doente, pois se sente ajustado ao meio social e isto é perigoso. A advertência geral é a de que cada pessoa poderá sentir-se envolvida pelas emboscadas psicopatas...

Vale e muito pois, se refletir sobre o desequilíbrio orgânico ou sobre as doenças. Ela conduz a noção de desapropriação de si mesmo. O doente perde o domínio do próprio corpo que lhe parece escapar por influencias outras. A sociedade distanciada o isola e ele pede compaixão, carinho, amor, dedicação, com humildade.

A impressão que tenho é a de que a medicina materialista parece-me ultrapassada. Eu sinto isto aqui na Beneficente Portuguesa onde dou presença. Varias vezes, nas insubstituíveis visitas aos doentes, médicos me têm dado precedência, sobretudo nos casos terminais.

Não tenho tido problemas com acatólicos. Eles me acolhem, peço, no entanto aos acompanhantes que chamem seus pastores e ministros para atenderem o paciente. O enfermo necessita de paz, o Senhor Jesus veio trazer a paz.

Para mim enfermeiros (as), médicos (as), ministros de culto são verdadeiros anjos tutelares que se debruçam ante o leito do enfermo.

Impressiona aos doentes a visita que faço. Pedem que volte. O doente gosta de ouvir palavras objetivas e seguras. Para terminar, considero o desequilíbrio orgânico uma excepcional oportunidade à Pastoral Cristã. O olhar do enfermo impressiona e às vezes parece distante, então eu o abençoo, colocando as mãos sobre a cabeça e o contemplo na prece que faço em voz alta. Vejo olhos marejados... a lagrima comprida na face da criança ou a sentida no olhar do enfermo brilha. Lindo o brilho das lágrimas. Ele faz lembrar a luz de Deus.

Uma “pitada” adulta

Está evidente: cada lobo cerebral é sede de atividades a repercutir no lado oposto e o entrelaçamento comunicativo, gera o almejado equilíbrio no orgânico. Deus na sua infinita sabedoria utiliza o visível para dar lições fáceis à criatura que teima em se prender à extremismos... virtus in médio ou a virtude está no meio. Saber ouvir, que maravilha!...

Se a néscios a afirmação parece banal, a experiência constata que as prospecções esquerdizantes foram geradas na direita, enquanto aquelas partiram da esquerda. É a reversibilidade entre tese e antítese que provoca a harmonia no somático e no social. A constatação infelizmente não iluminou mentes obtusas daí comportamentos asnáticos, porque amuados. Falei, acabou-se. O que disse está dito. E não volto atrás. Almas gigantes têm rasgos planetários.

Rompam-se as barreiras desatentas ou compulsivas que a insensatez diminuirá. Todos, indistintamente deverão portar seu tijolinho para fazer crescer a humanidade. Ao final as criaturas refulgirão e também o todo social.

N.B: Graças à Sua Excelência Dom Alberto Taveira, diariamente às 09h 00min e aos domingos às 07h 00min celebro a Santa Missa na Capela do Hospital da Beneficente Portuguesa. Aos sábados, às 09h 30min atendo confissões.