Ao termino da leitura de “Altar – Sumiço” publicada pelo Repórter 70 no passado domingo, 26.VI., lembrei-me: “ a mediocridade do hoje, faz profanar o ontem e atrapalhar o amanhã”. Foi o que aconteceu em Sant’Ana. Detenha-se o leitor e perceberá o desrespeito à História e á Igreja de Senhor Jesus.
O Padre Antônio Beltrão teve que retirar-se da Casa Paroquial. Ela não foi restaurada e sim demolida. No século passado funcionou como Escola Paroquial dirigida por Monsenhor Domingos Dias Maltez. O altar sagrado por Dom Rêgo Maia era o da Basílica de Nazaré, segundo o Padre Affonso Di Giorgio. Ele desapareceu. Demoliram a Gruta de Lourdes, “fac símile” da de Massabielle na França. Onde está o altar privilegiado pelo Papa São Pio X? O pavimento de mármore (Carrara), trazido por Dom Antônio de Macedo Costa, onde o colocaram? Fecharam portas dificultando a atividade paroquial. Tudo foi feito por terceirizados. Eles disseram que obedeciam ordens do IPHAN (sic !?...). Quanto as diatribes que propositalmente eu as vou omitir para não ferir susceptibilidades, geraram verdadeira década de chumbo. Oxalá, a corda não venha a se rebentar do lado mais fraco deixando airosos os santarrões... O caso de Sant’Ana é caso de polícia...
Meu leitor, a História é dinâmica e não paralisante. São as sucessivas gerações que a montam. A técnica presente, julgo eu, deve fazer realçar os séculos que se foram. Cito um só exemplo: a feérica iluminação da Catedral de Belém. Ela à noite é linda e impressiona. A iluminação proclama ser casa de oração. Domus mea, Domus orationis est. Quando ela foi construída, não havia iluminação elétrica na cidade. A atual iluminação não profana o passado, faz sim destacar as antigas gerações. Referindo-me à Catedral, apresento o reverso: destruíram seis apartamentos, a Biblioteca e também o iniciado Museu. O Atual quarto do pároco dificulta a circulação interna do templo. Parece que os pseudo restauradores nunca ouviram falar em programa de necessidades...
Agora um destaque: no dia 10 de março de 2010 o Reverendo Padre Antônio Beltrão fez reclamação séria à Procuradoria da Republica do Estado do Pará sobre a situação caótica do Templo. Não foi ouvido. Vale reler-se o Repórter 70: “A obra continua inacabada – Custou a bagatela de sete milhões – não caiu bem aos olhos do Instituto que condenou parte dos serviços.”
Meu caro leitor, só o IPHAN poderá dar solução fácil ao acontecido, pois o feito foi proclamado como obra do IPHAN. Os bispos não querem problemas. Alguns deles até proíbem os padres de falar. Os cristãos, principalmente aqueles que se julgam renomados, cultuam pessoas, poucos se lhes dá a Instituição. Resultado: Diocese com mil dificuldades e às vezes espoliada.
Escrevo assim porque entre os eclesiásticos desta Arquidiocese sou o mais antigo. Entrei no seminário no de 1937. Eu amo profundamente a Arquidiocese de Belém e a defendo. Sou testemunha viva. Ela culturalmente me alimentou e eu sorvi do seu leite.
Oxalá de Brasília venha gente competente, sensível, humilde e sensata. O futuro deverá julgar o IPHAN não como destruidor e sim como grande conservador do patrimônio cultural e histórico, não só dessa esquecida, mas de todo Brasil.
N.B: Graças a Sua Excelência Dom Alberto Taveira, diariamente às 09:00 horas e aos domingos ás 07:00 horas celebro a Santa Missa na Capela do Hospital da Beneficente Portuguesa. Aos sábado, às 9h30min atendo confissões